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Mal os habitantes da nossa nave Terra principiaram a internalização do grave terremoto seguido de tsunami no Japão em 2011, que ceifou milhares de vidas e causou grandiosos prejuízos econômicos ao país, de difícil mensuração e que certamente produzirá importante impacto global, começaram os protestos contra o uso de energia nuclear, notadamente na Europa, continente que concentra a maioria das usinas nucleares de todo o mundo. Emerge mais uma vez o temor do risco provocado por este tipo de energia, ainda que usada para fins pacíficos, qual seja, a produção de energia elétrica.

Discutia com um colega sobre o assunto e este ponderou que a energia nuclear era uma boa energia. Perguntei se ele ignorava os riscos desse tipo de energia: respondeu que não, mas que ela era importante para todos nós. Perguntei então se menos usinas nucleares representariam menos riscos para a humanidade: respondeu que sim. Em seguida, emendei: se reduzíssemos o nosso consumo, não seriam necessárias menos usinas nucleares?

O meu colega concordou que sim, embora reclamando que não precisaríamos voltar à idade da pedra. Creio que não, respondi, pois não precisamos necessariamente abdicar de todo o conforto que nós conquistamos com o processo civilizatório, especialmente aqueles realmente essenciais. Porém, insatisfeito, apontei para o elevador que esperávamos há algum tempo no 11º andar, gastando parte do nosso precioso bem que é o tempo. E ele próprio imediatamente lembrou, sem que eu usasse qualquer palavra, do absurdo que era pessoas jovens e saudáveis tomarem o elevador para subirem ou descerem do segundo ou do primeiro andar ao térreo e vice-versa, como observávamos corriqueiramente naquele edifício no qual trabalhamos, provocando atrasos no sobe e desce diário de toda a coletividade, tamanho o abuso das chamadas, retenções e do entra e sai dos elevadores. Freqüentemente havia quem tomasse o elevador no segundo andar, subisse ao 11º andar, para então se dirigir ao térreo.

Eis então a questão: não precisamos estar de acordo sobre os benefícios ou malefícios da energia nuclear ou de qualquer outra forma de energia, tampouco precisamos ter pensamentos iguais sobre padrões de consumo e desenvolvimento econômico.

Porém, o consumo irracional, exagerado e o desperdício de recursos é desnecessário e fomenta a destruição de recursos naturais, o que direta ou indiretamente induz o aumento do risco à saúde pública e ao meio ambiente.

Explica-se: o consumo, especialmente o desnecessário, pressuposto do crescimento econômico continuado, conduz ao aumento da destruição de áreas naturais, que serão destinadas à produção de mais energia, e também ao uso de energias perigosas, nocivas ao meio ambiente, potencialmente causadoras de mudanças climáticas ou que ao menos exigem a destruição ou modificações radicais do ambiente natural. São exemplos a energia nuclear, com o temor permanente de vazamentos radioativos; o uso e descarte irresponsável de baterias que contaminam o meio ambiente com metais pesados; ou a energia hidroelétrica que requer a inundação de milhares de hectares de nossas florestas, com sérios impactos ambientais e muitas vezes também sociais.

Precisamos de energia? Certamente que sim. Mas não precisamos de qualquer forma de desperdício.

Ainda que não cheguemos a um consenso sobre uma energia ser boa ou ruim, devemos convir que consumismo e desperdício induzem degradação ambiental, provocam direta ou indiretamente o aumento dos riscos à saúde pública e ao meio ambiente e podem mesmo contribuir para as mudanças climáticas, aumentando os riscos de desastres naturais ligados ao aquecimento global. Como falado em tópico anterior, tudo e todos estamos ligados neste planeta.

Logo, se queremos fazer algo pelo nosso bem-estar e sobrevivência nesta Terra, saibamos que não é possível escolher responsavelmente que tipo de energia teremos, se boa ou má para nós ou para o meio ambiente, enquanto não tivermos consciência de que nós somos os responsáveis, direta ou indiretamente, quer tenhamos consciência disto ou não, pelas decisões dos governos e empresas no tocante à implantação de usinas nucleares, térmicas ou hidroelétricas, cada uma causadora de diferentes tipos de riscos e problemas, por maior que sejam o conforto, ainda que aparente, que elas nos proporcionem.

Não é possível reduzir o número de usinas nucleares ou qualquer outro tipo de usina, para diminuir os riscos e prejuízos para a saúde das pessoas e para o meio ambiente, sem começar pela decisão de mudar os padrões de consumo. Não se trata de ideologia ou de um problema do povo japonês, ou chinês ou de qualquer outra localidade. É um problema seu, meu e de cada um de nós que habitamos este Planeta Terra. Pois a sustentabilidade é incompatível com o supérfluo.

No dia do consumidor, pense nisto e comece a agir, para que usemos apenas o necessário para o nosso dia-a-dia.

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Que tal experimentar um dia sem carro, apenas caminhando? Você vai se sentir muito bem!

Em Recife/PE tornou-se um suplício as idas e vindas do trabalho. Quer você esteja em um ônibus ou se deslocando de carro, você vai gastar horas e horas do seu precioso tempo no trânsito lento da cidade. E como o tempo é o nosso bem mais precioso, que passado, não volta mais, cabe buscarmos alternativas para melhor utilizá-lo.

Em poucos anos, a quantidade de veículos aumentou enormemente em nossos centros urbanos. Uma matéria publicada no Diário de Pernambuco (de Carolina Khodr), em 05/12/2010, proporciona interessantes reflexões sobre o assunto. “Cidade grande, perigo idem”: duplica o risco de infarto quanto alguém está preso em um engarrafamento, pois respira-se mais poluentes, além do estresse. São comentários do pesquisador da USP, Paulo Saldiva, médico e estudioso de poluição ambiental. Quanto maior a poluição nas cidades, menor a expectativa de vida. Aumentam as mortes por câncer de pulmão, doenças respiratórias e infartos.

Note-se que o transporte coletivo nunca foi prioridade na maioria das cidades do Brasil. Resultado: desperdício de tempo e de combustível, prejuízo para a economia, poluição do ar e sonora, estresse e menos tempo para fazer o que realmente importa para cada um de nós: estar com a família, exercitar-se, trabalhar, dedicar-se ao lazer, etc.

Um trecho que normalmente seria percorrido em 10 minutos, hoje reclama de nosso tempo 20, 30, 40 minutos ou mais, se você não morar muito longe do trabalho. Parece pouco, mas não é. Imagine um acréscimo de 10 minutos em cada trecho de deslocamento. Ida e volta são mais 20 minutos diários, quase 2 horas a mais gastas por semana, cerca de 7 horas despendidas a mais por mês e quase 4 dias por ano no interior de um veículo. Preso em um carro ou em um ônibus, pouco podemos fazer além de ouvir música, um audio livro, além de sofrer o eventual stress com o trânsito, o qual requer total atenção para evitar acidentes, se você estiver dirigindo. É possível usar melhor esse tempo? Creio que sim.

Moro a cerca de 4km do trabalho, de carro. Hoje gasto entre 20 e 40 minutos a cada ida ou volta. Saindo antes das 7:00h e voltando antes das 17:00h, o tempo tende a encurtar. Um colega gasta 15 minutos de bicicleta, buscando vias menos utilizadas pelos veículos. Mas temo essa alternativa, pois os motoristas não respeitam ciclistas nem pedestres, e quase não temos ciclovias, ao contrário de alguns países que valorizam muito mais o pedestre e a bicicleta. Decidi então tentar um uso mais nobre para o meu tempo. Por que não uma caminhada de volta do trabalho?

Selva de pedra
(Visão da travessia de pedestres na Av. Conde da Boa Vista, no centro de Recife: por incrível que pareça, ainda são minoria os motoristas que param para os pedestres atravessarem na faixa. E os motoqueiros, menos ainda. Clique na foto para conhecer minha galeria de fotos no Flickr)

No Google Maps, descobri que a caminhada para casa era de 3,2km, estimada em 35 minutos. Resolvi tentar. Num dia, fui de carona para o trabalho. Usava jeans, camisa pólo e tênis confortável. Esperava tão-somente trocar o tempo no interior de um veículo por uma atividade física aeróbica, gastando quase o mesmo tempo. De quebra, contribuiria para reduzir o número de veículos em circulação e, também, para reduzir a emissão de CO2 e outros gases nocivos ao ambiente, causadores do efeito estufa. Porém, ganhei mais que isso.

Mal deixei o prédio em que trabalho, caminhando por uma avenida na qual não passaria com o meu carro, encontrei um amigo que há tempos não tinha o prazer de ver. Foram 5 minutos de animada conversa. Me despedi e continuei a jornada. Observei cenas que usualmente não vemos quando no interior de um veículo: a paisagem é diferente, estamos mais perto das pessoas e de tantas coisas interessantes que há nas ruas, vemos os prédios e suas fachadas de ângulos diferentes, e temos uma visão mais privilegiada do céu.

Mas não é só isso. Logo percebi que me entreguei a divagações que não são permitidas quando estamos dirigindo, pois o trânsito reclama maior atenção e esta, por sua vez, gera maior tensão. Caminhando, redescobri o hábito de viajar em pensamento, refletindo sobre o significado de cada cena com a qual me defrontava.

No papel de pedestre, logo percebi o quanto nós motoristas podemos ser egoístas e perigosos, assim como as nossas cidades deixaram de ser das pessoas para serem dos carros.

Cada travessia de avenida representou um verdadeiro desafio, mesmo na faixa de pedestres, pois quase sempre haverá passagem de veículos vindos de um determinado sentido, quando o sinal estiver fechado para um outro. E pernas para que te quero. Isso porque não sou idoso, nem portador de necessidades especiais. Do contrário, seria quase impossível tal deslocamento. Mas este torna-se apenas um inconveniente quando confrontado com maiores benefícios.

No caminho, passei por diversas padarias onde não costumaria parar, pelas dificuldades de estacionar. Sendo um final de tarde, e como estava caminhando, escolhi uma delas para comprar o pão francês nosso de cada dia, diferente daquele encontrado na padaria da esquina de casa. Não tardou e eu estava de volta às ruas, no caminho de casa. A cada passo, as cenas em volta se tornavam mais familiares.

Não demorou muito, cheguei à minha rua e ao meu prédio. Um pouco ofegante, bastante suado. O porteiro logo notou e perguntou de onde eu vinha. Achou legal a iniciativa e comentou que aquilo me faria muito bem. Subi, fiz alguns alongamentos, tomei um banho gostoso e logo estava pronto para continuar a minha rotina diária.

Nas semanas seguintes, repeti a experiência, esperando torná-la um hábito, com as vantagens dos benefícios que pode nos trazer. É bom lembrar que o estilo de vida influencia muito a nossa saúde. Repetindo os trajetos, escolhi melhores locais para atravessar ruas e avenidas, além de calçadas que permitem mais fácil deslocamento.

Alguns colegas de trabalho perguntaram se não era inseguro, temendo assaltos. Comentei que não via qualquer diferença de qualquer outra curta caminhada que tenhamos de fazer, perto de casa. É prudente não ostentar objetos de valor. Além disso, se não ocuparmos nossas ruas, aí sim, estas serão ocupadas por quem não queremos. Enfim, creio ser esta uma boa alternativa para muitas pessoas: saudável e ecologicamente benéfica. Quem puder, experimente passar um dia sem carro.

Espero apenas que os nossos governantes atentem para os problemas do trânsito urbano, buscando solução para o mesmo e, sobretudo, que garantam maior segurança aos pedestres e ciclistas. E que nós, enquanto motoristas, vez por outra nos coloquemos na pele dos pedestres. Assim respeitaremos mais aqueles que se deslocam pelas nossas ruas e avenidas.