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O Suicídio da Venezuela (The suicide of Venezuela)

Autor: Joel D. Hirst

(Joel D. Hirst é um romancista e dramaturgo, autor de “The Lieutenant of San Porfirio” e sua continuação “The Burning of San Porfirio”. Joel também escreveu, “Dreams of the Defeated – A Play in Two Acts” e seu terceiro romance “Lords of Misrule” está agendado para lançamento no verão. Você pode visitá-lo em http://www.joelhirst.com)
Esta é uma tradução livre do artigo “The Suicide of Venezuela” – por A. Valença, com a permissão do autor. Publicado no site https://joelhirst.wordpress.com/2016/04/23/the-suicide-of-venezuela/

Nunca esperei testemunhar o lento suicídio de um país, uma civilização. Suponho que ninguém espera.

Deixe eu dizer a você, não há nada de épico nisso. Nós que tivemos o privilégio de viajar, frequentemente nos deparamos, com satisfação, com as ruinas da Grécia antiga; o Parthenon iluminado com luzes azuis e verdes. A Acrópole. O Coliseu em Roma. Nós caminhamos nas ruas empoeiradas de Timbuktu e vemos as antigas mesquitas cobertas de musgo e pensamos na época em que esses lugares tinham energia e propósitos. Eles não eram monumentos tristes para turistas como nós. O tempo deu um polimento sobre o desastre.  Atualmente tudo que restou foram grandes e velhas construções que contam a história de quando as coisas eram extraordinárias, não de como elas foram paulatinamente deixadas de lado. “Não houve razões, não realmente,” dizemos uns aos outros quando desembarcamos de nossos ônibus refrigerados. “Essas coisas acontecem. Nada é para sempre; e não foi falha de ninguém. É só o jeito como o mundo é,” nossas taças plásticas de vinho nas mãos. O tempo flui e reflui, lentamente desgastando as fundações de uma civilização até que ela colapsa sob ela mesma – pelo menos é isso que dizemos para confortar a nós próprios. Não há nada a fazer sobre isso. “O país declinou – e extinguiu-se – esse é o jeito como as coisas são.”

Nós, turistas, estamos errados.

Eu sei, porque eu tenho testemunhado o suicídio de uma nação; e eu sei agora como isso acontece. A Venezuela está lentamente, e muito publicamente, morrendo; um ato que tem se prolongado por mais de quinze anos. Ver um país matar a si próprio não é alguma coisa que frequentemente aconteça. Por ignorância, alguém pode presumir que isso seria rápido e brutal e conflituoso – como o genocídio de Ruanda ou o cataclisma do vulcão Vesúvio em Pompéia. Você espera ver corpos ou mães abraçando protetivamente seus filhos; carbonizados pela força ou preservados em brilhantes registros fotográficos. Mas esses não são eventos que causem suicídios de nações. Depois de eventos como esses os países se recuperam – o povo se recupera. Eles reconstroem, eles reconciliam. Eles perdoam.

Não, suicídios de nações são processos muito mais longos – não produtos de um momento. Mas de uma má ideia, depois outra, depois uma outra, e outra, e outra, e uma mais, e as rodas que movem um país começam a emperrar, a mover-se mais lentamente, mais lentamente, a poeira e a ferrugem cobrindo suas, originalmente, reluzentes fachadas. Revolução – frieza e raiva. Ódio, como estratégia política. Leis, usadas para dividir e conquistar. Regulação, usada para punir. Eleições usadas para legitimar ditaduras. Corrupção sangrando a energia vital em gotas, enchendo os bolsos de sucessivos níveis hierárquicos de burocratas antes que eles sejam destruidos, e substituidos por outros, e outros. Isso para mim é que é impressionante sobre a Venezuela. Em minha defesa – por fraca que seja – eu tentei lutar contra o suicídio o tempo inteiro; de uma forma ou de outra. Suponho que ainda esteja lutando, meus escritos como última linha de resistência. Mas como Dagny Taggart (personagem da série “A Vingança de Atlas” – executiva de uma ferrovia / nota do tradutor) eu descobri que não há nada para lutar contra – foi tudo uma fedorenta mistura de  ressentimentos e desculpas. “Você não deveria fazer isso.” Eu disse. E de novo, “Essa lei não vai funcionar,” e “essa eleição não trará nenhuma liberdade”, enquanto também, “o que você planeja não trará prosperidade – e a única igualdade que você encontrará será a linha mínima de sobrevivência” (bread line – linha do pão, numa tradução literal: nota do tradutor). E eu não estava só; um exército de pessoas mais inteligentes do que eu alertaram publicamente em jornais, e em fóruns de discussão, e em programas de televisão, e em encontros comunitários, e em campanhas políticas, que o resultado seria um suicídio nacional coletivo. Ninguém estava ouvindo.

Então eu deixei de lado. Eu ajudei Uganda a recuperar-se depois de 25 anos de guerra civil – limpando os campos e trazendo o povo para retomar suas vidas. Eu ajudei o retorno da democracia no Mali, e a consolidar o processo de paz. Eu escrevi 3 livros. Eu me mudei, me mudei, e me mudei novamente. Eu amo minha esposa; nós tiramos férias juntos. Nós visitamos Marrakesh, e o Cairo, e Zanzibar, e Portugal, e o Grand Canyon. Nós tivemos cirurgias. Tive um filho. Nós ensinamos nosso filho a sentar, a engatinhar, a andar e a correr; a cantar e gritar e dizer palavras como “clorofila”, e “fotossíntese”. A dizer os nomes dos planetas um por um, a escrever o seu nome.

Por todo esse tempo o agonizante e lento suicídio continuou.

E sempre, logo cedo no café eu abro o meu computador e documento, nem que seja só para mim mesmo, o próximo ato no longo e trágico suicídio da Venezuela. Eu converso com meus amigos, que continuam a tentar explicar ao idiota o porquê da miséria deles ser um resultado direto de uma má ideia construída sobre o último grande edifício da estupidez. Bons homens e mulheres que estão presas em um debate de duas décadas, do qual não há escapatória. Eu faço preces silenciosas para o próximo de uma longa fila de prisioneiros políticos. Eu olho para fotografias de lugares que eu conhecia – praias onde eu fui e restaurantes que eu frequentava; cobertos de lixo, ou tapumados e fedorentos. Eu assisto vídeos de saques noturnos de supermercados, que são fortuitos o bastante para conseguir o suprimento de alguma coisa.

Hoje à noite não há luzes. Como a New York City de “Atlas Shrugged”, de Ayn Rand, os olhos do país foram arrancados para alimentar os mendigos famintos em edifícios, que já foram apartamentos de luxo, abandonados e ocupados. Eles culpam o clima – o governo faz isso – como os xamãs tribais de antigamente, que fizeram sacrifícios aos deuses na esperança de uma intervenção. Também não há comida; eles dizem às pessoas para esperar, para criar galinhas nos terraços de seus outrora glamourosos apartamentos. Não há água – e eles dão lições na TV estatal de como lavar-se com um copo de água. O dinheiro é inútil; as pessoas pagam agora com batatas, se eles podem encontrá-las. Médicos operam utilizando a luz de seus smartphones; quando há energia suficiente para carregá-los. Sem anestesia, é claro – ou antibióticos, como nos dias anteriores ao advento da medicina moderna. O serviço de telefonia foi cortado – em breve a internet também o será e uma escuridão total permeará tudo sobre uma terra selvagem.

A maratona de destruição está quase terminada; a energia vital da nação está quase no fim. Não, não há nada de heróico ou épico aqui; ruínas no processo são eventos tristes – desprovidos do manto reconfortante do tempo, que empresta intriga e inevitabilidade. E ver isso tem sido, para mim, uma das grandes tragédias da vida.

Uma sucessão de desastres naturais recorrentes tem afligido a humanidade, inclusive nós brasileiros, mas parece que não estamos vendo claramente o que está ocorrendo com nossos semelhantes, nem percebendo com lucidez as conseqüências destes eventos importantes, que têm o potencial de mudar drasticamente as nossas próprias vidas, inclusive para muito pior, mesmo contra a nossa vontade e esforços, caso sejamos nós as vítimas. Afinal, somos muito pequenos para enfrentá-los sozinhos, e também coletivamente, se o fizermos de forma desorganizada.

Quando não somos vítimas, não sentimos tão facilmente o drama dos desabrigados. Há o ditado: o que os olhos não vêm, o coração não sente… Será? Vejamos o que os países em todo o mundo têm sentido com as enchentes, inundações, deslizamentos, furacões, terremotos, tsunamis, etc.

O terremoto seguido de tsunami no Japão ainda não virou lembrança, pois o drama continua naquele país, que luta para sobreviver à tragédia humanitária, econômica e agora os seus efeitos radioativos. Esta última uma contribuição da arrogante crença no controle da humanidade sobre as suas tecnologias supostamente mantida sob rédeas.

Mas vejamos o que também acontece mais perto de nós e dos nossos olhos, muito embora passe despercebido por quase todo mundo nestas bandas:

– Durante os últimos 30 anos há os seguintes registros decorrentes de desastres “naturais” para os países da América Latina e do Caribe:

a) Anualmente 5.000 vidas foram ceifadas;

b) As perdas médias anuais têm sido de US$3.200 milhões de dólares: destruição de habitações, prédios públicos, plantações e empreendimentos; desemprego; perda de arrecadação…;

– As perdas tendem a aumentar devido a:

a) Mudanças climáticas;

b) Processos de desenvolvimento que levam à destruição ambiental em áreas vulneráveis;

c) Rápido crescimento de áreas propensas a desastres (ocupações irregulares de morros e margens de rios e córregos, p.ex.).

– Os desastres naturais ocasionam:

a) Impacto negativo na qualidade de vida urbana e rural;

b) Reduzem o capital social e produtivo de um país;

c) Tendem a afetar mais acentuadamente os segmentos mais pobres da população;

d) Podem produzir impacto de longo prazo sobre o desenvolvimento dos países, pois geram impactos inesperados nas contas fiscais e também nas inversões privadas (vejamos o exemplo do Japão, após o terremoto, seguido de tsunami e acidente nuclear… Fábricas pararam e houve desabastecimento de produtos de alta tecnologia);

– É possível caracterizar o risco;

– É possível a gestão do risco;

– Os indicadores de risco permitem analisar a evolução da situação, comparar um país ou local em diferentes épocas;

– Os indicadores podem ser usados em âmbito local;

– Existem níveis de risco de desastres ambientais significativos nos países analisados da América Latina;

Aparentemente tais riscos não foram até então percebidos em sua verdadeira dimensão pelas pessoas, pelos tomadores de decisão, incluindo os governantes, e pela sociedade em geral;

– Um enfoque proativo de redução do risco, se adotado, pode gerar ganhos econômicos e sociais importantes;

– Podem ser adotadas medidas para reduzir as vulnerabilidades frente às ameaças naturais, as quais podem ser integradas aos programas de desenvolvimento e de reconstrução pós-desastre;

A defesa civil poderia usar ferramenta análoga àquela utilizada na saúde, baseada na mensuração e uso de indicadores de riscos. É aplicada na gestão de programas de saúde pública, inclusive no Brasil:

O primeiro passo é monitorar, mensurar e registrar a ocorrência de doenças na população em geral e nas localidades e pessoas em particular (vigilância). São elaborados planos municipais e estaduais de saúde, para fazer frente aos problemas diagnosticados, os quais guiarão a distribuição e gestão dos recursos públicos e a execução de diferentes programas de saúde, a exemplo do programa de saúde da família, agentes comunitários de saúde, vigilância ambiental, emergências SAMU, etc.

O referido sistema se retroalimenta e é continuamente aperfeiçoado, reduzindo os riscos para a população e favorecendo a solução dos problemas.

No caso dos desastres naturais, não basta desenvolver, registrar, analisar e monitorar indicadores de risco em defesa civil, instituir conselhos de defesa civil, realizar conferências de defesa civil, etc.

Isso porque o assunto requer ação muito bem planejada, coordenada e de ampla cooperação entre esferas governamentais e entre setores de uma mesma esfera governamental, incluindo meio ambiente, saúde, ação social, educação, agricultura e pecuária, reforma agrária, trabalho e emprego, Ministérios Públicos, instituições de pesquisa, etc., além da participação da sociedade civil, organizações não governamentais – incluindo todas aquelas que fornecem voluntários nos desastres naturais e muitos outros.

Só uma abordagem holística e integrada de problema tão complexo pode ser promissora. Sem um correto reconhecimento e definição dos problemas e de suas causas, tudo o mais que fizermos a partir daí tenderá a ser pouco efetivo ou até mesmo inócuo.

Então, lembremos do velho ditado: é melhor prevenir, do que remediar. Mas…

O antagonismo entre cura e prevenção dos males acompanha a humanidade há muito. É do tempo de Hipócrates o registro do antagonismo entre as duas filhas do deus Asclépio: Panacéia e Higéia.

“Panacéia preconizava a medicina curativa, prática terapêutica baseada em intervenções sobre indivíduos doentes, mediante manobras físicas, encantamentos, preces e uso de medicamentos, enquanto …

Higéia, defendia a saúde como resultante da harmonia entre os homens e ambientes, e buscava promovê-la por meio de ações preventivas”

(Fonte: http://www.culturabrasil.com.br/programas/radarcultura/limbo/conhecam-a-arte-de-gustav-klimt-na-pintura-de-higeia-reconhecam-a-sabedoria-higeiana).

Mas, retornando aos indicadores de riscos de desastres:

Podemos concluir, a partir dos estudos do BID e do Banco Asiático, dos quais são originárias as informações sobre indicadores e desastres ambientais no mundo, aqui apresentadas, e da própria observação dos acontecimentos, que

é possível monitorar e mensurar os riscos, os quais devem ser percebidos e reconhecidos como um problema socioeconômico e ambiental

(eu diria que isso é indispensável).

Conhecido o risco, é possível adotar medidas preventivas e práticas adequadas de planejamento e gestão, tanto públicas quanto privadas. Sem prejuízo da eventual adoção de medidas corretivas.

Tornamo-nos assim, discípulos de Higéia.

Prevenindo, minimizam-se os impactos socioeconômicos dos desastres, inclusive aqueles decorrentes das mudanças climáticas, tanto quanto possível com as medidas que estiverem ao nosso alcance.

Também, é bom lembrar que se trata de um caminho difícil, longo e que pode demorar décadas, o mesmo tempo que dedicamos à depredação do meio ambiente. É a velha história da “porta estreita”. Não são comuns as soluções fáceis para problemas difíceis e complexos.

Porém, em troca, ganharemos em milhares de vidas salvas anualmente e também na disponibilidade de valiosos recursos que, poupados do uso corretivo ou curativo dos efeitos dos desastres, podem ser utilizados nos processos de desenvolvimento e promoção do bem-estar social.

Evitamos, assim, a previsível e eterna reconstrução, à semelhança do mito de Sísifo, “condenado a repetir sempre a mesma tarefa de empurrar uma pedra de uma montanha até o topo, só para vê-la rolar para baixo novamente

O outro caminho é nos tornarmos seguidores de Panacéia. Aliás, esta tem sido a preferência da humanidade ao longo da história, e ainda parece ser a escolha preferida da maioria, até hoje.

Mas, atenção! Veja-se a situação das cidades e populações pernambucanas em estado de calamidade pública e situação de emergência, há menos de dois anos desde a última enchente de 2010:

Em 2011 as chuvas destruíram, novamente, aquilo que fora destruído também em 2010 (possivelmente o que também foi destruído em 2005, em 2000, e sabe-se lá em quantas outras enchentes do passado):

“Folha de Pernambuco Digital. Domingo, 15 de maio de 2011. Com as novas chuvas, a sensação de trabalho dobrado. O que se viu nas últimas semanas foi quase um espelho do que ocorreu no ano passado. Novamente, escolas paralisaram suas atividades, cidades perderam acessos, casas foram atingidas e as famílias ficaram desabrigadas. Sem previsão ou qualquer alerta, milhares de famílias foram pegas de surpresa. Assim como o Governo do Estado. Para quem não viveu mudanças, a situação foi ainda pior e alimentou o medo dos próximos invernos. (…) Com as obras iniciadas no final de junho de 2010, os municípios tiveram parte dos acessos restabelecidos através de intervenções emergenciais de recuperação de pontes, passagens molhadas e rodovias. Mas, após as chuvas de abril e maio deste ano, parte do que foi reconstruído chegou a ser novamente destruído.”

(Chuvas: trabalho dobrado na Mata Sul – http://www.folhape.com.br/index.php/noticias-geral/637606?task=view).

Em Barreiros e Palmares, por exemplo, muitas pontes ainda continuavam destruídas, há mais de um ano das enchentes de 2010. Passados mais de 12 meses, havia lugares em que a travessia das corredeiras dos rios era feita em pequenas e precárias embarcações, trazendo risco à segurança e à vida das pessoas. Sem falar que a vida de todos fica mais difícil. Simples tarefas consomem muito mais tempo do que o comum, a exemplo de ir e voltar da escola ou se deslocar até uma unidade de saúde, pois as estradas vicinais e pontes sofreram com o desastre ambiental.

Sem um enfoque preventivo, os desastres naturais, que aumentam cada vez mais em decorrência da ação negativa da humanidade sobre o meio ambiente, guardando estreita correlação com o consumo desenfreado – que é estimulado para termos um “desenvolvimento com crescimento econômico continuado”, tendem a ser um ralo gigante, a sugar eternamente os nossos recursos limitados.

Não é fácil a situação das vítimas, tampouco do Estado, cujos governantes  precisam correr para estancar os danos. Mas, nestes novos tempos, nem Panacéia pode dar jeito nesta situação.

Precisamos desenvolver uma consciência coletiva, de que nossos comportamentos condicionam em grande parte a destruição ambiental e aumentam os riscos de desastres daí decorrentes:

– Destruir as florestas e a mata ciliar aumenta o volume e a velocidade das águas nos rios e agravam as enxurradas e enchentes;

– Construir às margens dos rios e córregos provoca danos ambientais e expõe as pessoas ao risco das inundações e enxurradas;

– Extrair areia dos rios altera a dinâmica das águas e provoca assoreamento dos rios e barragens, agravando as enchentes e os danos por elas provocados nas cidades.

Estamos diante do exercício do nosso livre arbítrio. Podemos:

a) Mudar a história, adotando novos comportamentos no tocante ao consumo, ao convívio com o meio ambiente, à ocupação e uso do solo e mudando o atual modelo de desenvolvimento econômico, típico do capitalismo, que é evidentemente insustentável e já destruiu e comprometeu seriamente parcela significativa do meio ambiente planetário;

b) Ou aceitar a profecia autorrealizável de uma nova Ilha de Páscoa, agora em escala global (Saiba mais em: http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/atitude/conteudo_255142.shtml).

Que caminho você pretende seguir?

Muitos já morreram em defesa da floresta e dos homens, inclusive no Brasil: Chico Mendes, Dorothy Stang... Nesta semana, entre o final de maio e o início de junho de 2011, mais quatro brasileiros foram assassinados na Região Norte do Brasil, dentre eles o casal de ambientalistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo.

As florestas estão morrendo e com elas, os homens também!

Até quando ficaremos cegos, surdos, calados e inertes? Que estas mortes não tenham sido em vão!

Acompanho os posts do Instituto Akatu e fiquei sabendo do vídeo Florestas e Homens, que você pode assistir abaixo, filme oficial do Ano Internacional das Florestas, dirigido por Yann Arthus-Bertrand, mesmo da série La Terre Vue du Ciel (La Tierra vista desde el cielo), este último um documentário excepcional, que recomendo a todos os interessados em meio ambiente, sustentabilidade, vida e humanidade, embora eu ainda não o tenha encontrado no Brasil.

Porém, antes do filme e para reflexão, reproduzo abaixo um fragmento de texto (veja observação ao final):

“[…]

Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

[…]”

O texto original, que você pode encontrar no link abaixo, é de

EDUARDO ALVES DA COSTA
Niterói, RJ, 1936

(Por muitos atribuído ora a Bertolt Brecht, ora a Maiakóvski, na realidade é diferente e teve o título original  cunhado por um brasileiro, segundo o sítio http://www.umacoisaeoutra.com.br/literatura/falsos.htm)

Assista ao vídeo:

Veja mais sobre o assunto em:

A sustentabilidade é incompatível com o supérfluo

O novo Código Florestal e os desastres ambientais: o que há em comum entre a monocultura, a cana-de-açúcar, a criação de bovinos, a pobreza, políticos corruptos, a destruição da mata ciliar e as enchentes, enxurradas e inundações?

Publicado: 20/05/2011 em Cidadania, Ecologia, Meio Ambiente, Saúde, Sustentabilidade
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O caderno Ciência e Meio Ambiente do Jornal do Commercio, domingo, 08 de maio de 2001, folha 5, trouxe a seguinte matéria:

“Mata ciliar é solução para as inundações”.

Fiquei muito animado com a notícia! No momento, o novo Código Florestal é discutido no Congresso Nacional, promovendo a tentativa de reduzir as áreas de preservação de florestas em margens de rios (mata ciliar), por grupos cujos principais interesses são egoístas e que ignoram as necessidades e sofrimentos coletivos, além do imperativo da preservação ambiental.

Ao mesmo tempo, vemos se multiplicarem os desastres ambientais, a exemplo das enchentes, enxurradas, inundações e deslizamentos de terra, em 2010 e 2011, atingindo Pernambuco, Alagoas, Região Serrana do Rio de Janeiro e outras regiões do Brasil, como as regiões Sul, Centro-Oeste e Norte, com mortes e grande número de pessoas desalojadas e desabrigadas. Muitas dessas pessoas estão desabrigadas desde desastres ocorridos anteriormente ao último registrado. E, não bastasse a tragédia humanitária e as perdas de vidas, os brasileiros em geral, toda a nação, têm de arcar com o incalculável custo de recuperação e reconstrução daquilo que foi destruído. É bom lembrar que as populações mais pobres são aquelas que geralmente sofrem as principais conseqüências dos desastres, aqui e em todo o mundo.

Os artífices do novo Código Florestal argumentam que não há “provas científicas” que justifiquem a manutenção da mata ciliar!

Me poupem, ilustres parlamentares!

Quando se trata de segurança e sobrevivência da humanidade, prevalece o princípio da segurança e torna-se desnecessário provar o óbvio, o ululante. Na dúvida, preserve!

Mas, ainda assim, o cientista ambiental André Alcântara, sob a orientação do pesquisador Ricardo Braga, com apoio da Sociedade Nordestina de Ecologia e com financiamento pelo Fundo Nacional do Meio Ambiente, provou para os céticos, inconseqüentes e egoístas que a mata ciliar precisa ser protegida:

“a vazão da água é bem maior em áreas cultivadas que em áreas florestadas”.

Mas o que isso significa? A tabela a seguir ilustra os resultados e alcance do estudo:

Local

Vazão

(l/s por km2)

Oxigênio dissolvido na água

Necessidade de tratamento da água para consumo

Estação 01 – Próximo da nascente: rio margeado por floresta Atlântica

24,7

Acima do necessário para a água ser considerada própria para consumo Necessita apenas cloração
Estação 02 – Rio cercado por agricultura de subsistência e mata em regeneração

62,6

Próximo do mínimo necessário para a água ser considerada própria para consumo Necessita de tratamento completo
Estação 03 – Margens ocupadas por pasto e canavial

177,6

Muito abaixo do mínimo necessário para a água ser considerada própria para consumo Necessita de tratamento completo

Ou seja:

“em áreas cultivadas, a vazão do rio é sete vezes maior que nas áreas florestadas”, pois onde havia pasto e cana a vazão chegou a 177,6 litros.

Traduzindo, em termos práticos, acrescento aqui uma pequena contribuição ao debate:

Quais são os municípios pernambucanos (e provavelmente também alagoanos) mais atingidos pelas enchentes em 2010 e 2011? Quais as suas principais formas de exploração e uso do solo, conforme dados de 2010?

Município

Situação de desastre ambiental em 2010 e 2011

Densidade demográfica (hab/km2)

Taxa de urbanização (%)

Renda per capita

Taxa de analfa-betismo

– 15 anos e mais (%)

Principal cultura -agrícola e pecuária

(maior valor da produção em R$ e maior efetivo dos rebanhos, respectivamente)

Água Preta Calamidade Pública 60,84 56,61 65,5 39,60 Cana-de-açúcar e bovinos
Barreiros Calamidade Pública 174,49 83,42 93,22 30,76 Cana-de-açúcar e bovinos
Catende Calamidade Pública 182,82 76,33 104,19 33,94 Cana-de-açúcar e bovinos
Cortês Calamidade Pública 122,94 63,45 74,18 36,09 Cana-de-açúcar e bovinos
Jaqueira Calamidade Pública 129,22 61,57 65,03 39,94 Cana-de-açúcar e bovinos
Maraial Calamidade Pública 62,46 70,03 60,57 42,77 Cana-de-açúcar e bovinos
Palmares Calamidade Pública 176,71 78,76 134,47 27,78 Cana-de-açúcar e bovinos
Primavera Calamidade Pública 122,24 63,84 84,88 32,67 Cana-de-açúcar e bovinos
Xexéu Calamidade Pública 127,18 65,04 64,99 43,94 Cana-de-açúcar e bovinos
Quer mais? Veja a tabela completa, ao final, incluindo municípios em situação de emergência.Dados: http://www.bde.pe.gov.br/ArquivosPerfilMunicipal

São justamente aqueles municípios que têm os tipos de agricultura e pecuária apontados como tendo maior vazão em decorrência das chuvas. Não bastasse a pesquisa sobre vazão menor em áreas com preservação de matas ciliares, realizada em Pernambuco, acrescentam-se os dados acima, que são óbvios, ululantes!

Erosão do solo pelas águas em plantio de cana-de-açúcar

Erosão do solo pelas águas em plantio de cana-de-açúcar

O que possuem em comum os municípios de Pernambuco, em estado de calamidade pública, em decorrência das enchentes em 2010 e 2011? (pode incluir também aqueles em situação de emergência)

a)      Cana-de-açúcar como principal cultura agrícola;

b)      Criação de bovinos em pastagens como principal atividade agropecuária;

c)       Geralmente possuem elevadas densidades populacionais (é provável que este seja um dos principais componentes dos graves desastres ambientais!);

d)      Geralmente possuem elevado percentual de urbanização;

e)      Geralmente possuem baixa renda “per capita”;

f)       Geralmente possuem elevados percentuais de analfabetismo entre jovens e adultos, ao qual podemos somar o analfabetismo funcional.

Todos esses fatores estão relacionados entre si e também com baixos IDH (índice de desenvolvimento humano), péssimos indicadores de saúde, elevado desemprego, grande violência e outras mazelas.

Neste contexto, é difícil esperar o exercício efetivo da cidadania. Ainda mais, esperar que essas pessoas pensem e lutem pelo meio ambiente, se não percebem que as suas condições de vida estão associadas a todos esses fatores. Suas crianças e jovens mal podem freqüentar as escolas, com estradas e pontes esburacadas, enlameadas ou interrompidas pelas sucessivas enchentes, além do ainda existente trabalho infantil.

É o alto preço cobrado devido à opção histórica pela monocultura, ocupação e exploração desordenada do solo e abandono educacional das pessoas!

Certamente que a cultura da cana-de-açúcar e a pecuária têm sua importâncias para as pessoas. E certamente que há municípios com cana-de-açúcar e bovinos como principais atividades agropecuárias e que não estão em estado de calamidade pública, e vice-versa. Mas as realidades de Pernambuco e Alagoas são sintomáticas.

Estudos “científicos” de associação de causa e efeito entre múltiplos fatores, tais como fatores ambientais, sociais, econômicos e culturais não são fáceis, tampouco estarão isentos de críticas quanto aos seus alcances e validades. Porém, deixo esta proposta para os pesquisadores em geral, para que realizem vários estudos científicos envolvendo essas temáticas, com grandes promessas de recompensa para a humanidade.

Finalmente, do que foi exposto até então, algumas soluções emergem como óbvias:

– É necessário preservar, recuperar e ampliar a mata ciliar e as florestas em geral. Precisamos de um NOVO Código Florestal que preserve e aumente as florestas, não precisamos de um pernicioso código florestal que proclame a sua dizimação e exploração irracional. Mas, acima de tudo, precisamos desenvolver uma consciência coletiva de respeito ao meio ambiente e à coletividade, que vá além do dever ser das leis, que faça acontecer. Afinal, de “boas” leis o Brasil está cheio. Faltam os bons costumes;

– É necessário educar as pessoas, libertando-as dos grilhões que as prendem à exploração política e à miséria. Educação e cidadania têm de sair dos discursos vazios e mentirosos de candidatos irresponsáveis e despreparados, tornando-se resultados concretos por intermédio de administradores públicos profissionais, competentes e comprometidos com a coletividade;

– É necessário diversificar as culturas agrícolas e pecuárias, explorando-as de forma respeitosa à preservação do meio ambiente e recursos naturais, assim como adequada às necessidades das pessoas, de suas famílias e de suas coletividades;

– É necessário fixar os homens e suas famílias no campo, provendo terra e condições adequadas para a produção agropecuária sustentável. Enquanto consumidores, deveríamos assumir compromisso de compra junto aos agricultores familiares, que teriam a certeza de continuidade de suas atividades, permanecendo no campo. Enquanto governo, aplica-se o mesmo. Aliás, isto já é feito pelo Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar (PAA), que em Pernambuco, atualmente, adquire da agricultura familiar e distribui com as famílias atingidas pelos desastres;

– É necessário reduzir a urbanização e os grandes adensamentos populacionais. Devemos falar em interiorização das populações, mas também creio que devemos perder o medo de falar em controle de natalidade e sobre o controle do crescimento populacional!

Pois aí estão as causas dos desastres naturais, da pobreza e dos principais flagelos da humanidade, incluindo a fome, a falta de abrigo salubre, as doenças, a violência e a miséria. Não é assim que queremos viver a humanidade!

(mais…)

Apresento a seguir um link sobre reportagem de uma série jornalística sobre lixo.

Não conheço detalhes do projeto nem do sucesso da iniciativa. Porém, basta para nos lembrar que, qualquer que seja o projeto de obras, é possível dotá-lo de múltiplos propósitos, incluindo a preservação do meio ambiente e a sustentabilidade.

Certamente que no Brasil, onde regiões como Norte e Nordeste sequer possuem maioria de habitantes servidos por sistema de esgotamento sanitário, e padecem de elevadas taxas de morbidade e mortalidade infantil por doenças de veiculação hídrica, isto ainda está muito longe de acontecer. Mas não custa sonhar.

Quem sabe, um dia, despertamos para a importância de identificar e selecionar corretamente o que é prioridade. Especialmente porque ainda temos muita pobreza, o que torna a satisfação das necessidades básicas e essenciais infinitamente mais importante do que obras voluptuárias ou do que a satisfação de vaidades de nossos governantes, representantes políticos e até mesmo de muitos brasileiros.

A solução de Barcelona evita que o lixo se espalhe pela cidade, enquanto aguarda ser recolhido ou durante o transporte (como ocorre em terras tupiniquins), retira caminhões de circulação, com menor poluição do ar e sonora. De quebra, deve reduzir os veículos em circulação, melhorando o trânsito.

Assista ao vídeo:

Veja mais sobre líxo e reciclagem:

Por que reciclar pilhas e baterias? Links de PEV, coletores, postos de reciclagem

Seria muito engraçado, não fosse pela revelação do enorme inconsciente coletivo ainda existente em nosso planeta:

Por incrível que pareça, a maioria dos brasileiros entrevistados num programa de televisão aprovou uma série de empreendimentos imobiliários “de alto luxo” que ocupariam cartões postais do nosso Brasil. Já faz algum tempo, mas é algo que merece ser lembrado, sempre.
Nas areias das praias de Boa Viagem em Recife, ou de Copacabana no Rio de Janeiro, ou de Pitangueiras no Guarujá, ou no meio da Lagoa da Conceição em Florianópolis, ou no Lago Paranoá em Brasília – Distrito Federal, grande parte das pessoas ignorou o prejuízo irreparável que o sonho de consumo imobiliário de uns poucos causaria ou causa ao direito e sonho de bem-estar de toda uma coletividade.

“Gosto de levar vantagem em tudo, certo?”: A velha “Lei de Gerson”, antiga propaganda para consumo de cigarros.
Na pegadinha educativa de iniciativa do Instituto Akatu, em parceria com o programa “Fantástico” da Rede Globo, a apresentadora diz: “uma chance de mudar de vida”, por intermédio de uma construtora “ousada”. Haja ousadia!

Para uma minoria, a vida até poderia mudar para melhor, no curto prazo. Para uma esmagadora maioria, seria mudar de vida para pior no curto e médio prazos. E para todos, incluindo os “felizes e orgulhosos” compradores dos prédios construídos nas areias de nossas praias e no meio de nossas lagoas, a vida certamente iria mudar para muito pior no longo prazo, inexoravelmente.
Felizmente ainda existem pessoas e instituições dispostas a cultivar o consciente coletivo, bem como existem os remédios constitucionais contra governos, autoridades e pessoas ou empresas dispostas a ignorarem os direitos coletivos e difusos.

Além disso, ainda que ocasionalmente possamos agir com pouco ou nenhum discernimento, a humanidade e cada pessoa, todos nós, somos capazes de recobrar e desenvolver a consciência, agindo com solidariedade, empatia e praticando ações humanitárias. A predisposição para conviver e viver coletivamente está impressa em nossas almas.
Não se trata simplesmente de preservar o meio ambiente e fomentar a sustentabilidade ambiental – o que já seria muito, mas de preservar os princípios sociais e de direito que permitem a vida em coletividade. Do contrário, não tardaria e todos nós estaríamos em uma guerra autodestrutiva.

Assista ao vídeo:

Veja mais sobre consumo e consciência coletiva:

A sustentabilidade é incompatível com o supérfluo

A revista Correio Filatélico – COFI (Ano XXXIII, nº 219, outubro a dezembro de 2010) publicou como sua matéria principal a emissão de quatro selos sobre estes animais da ordem Chiroptera, os quais são encontrados em todo o mundo, exceto nas regiões polares.

Existem morcegos cujos pesos variam entre 3g e 1,5kg. Suas dietas são bastante variadas, incluindo vegetais, animais e o sangue, no caso das poucas espécies de morcegos hematófagos existentes.

O artigo menciona a existência de mitos, lendas e crendices ligando os morcegos ao mal, criando um ambiente de horror, mistério e medo quanto à sua presença. Por isso, houve caça e destruição indiscriminada de morcegos. Mas é exatamente o oposto o que se pretende mostrar. Além disso, este não é o único mito prejudicial aos animais e ao meio ambiente. Citamos o exemplo dos tubarões, muitas vezes perseguidos e caçados por serem considerados “inimigos” dos seres humanos.

Os morcegos são úteis à agricultura, por combaterem as pragas, pois sabe-se que 70% das espécies de morcegos se alimentam de insetos. Já os morcegos frugívoros ajudam a dispersar as sementes de vegetais que irão garantir a preservação de inúmeras espécies. Sem falar que estes animais são um elo indispensável na cadeia alimentar: sem eles, todas as outras espécies correrão sérios riscos. Além disso, os morcegos são muito úteis às pesquisas médicas, cujos resultados beneficiarão a espécie humana.

Enfim, os morcegos são essenciais ao equilíbrio ambiental!

Mas as atividades humanas e a destruição do meio ambiente ameaçam os morcegos e todos nós: o desmatamento com o avanço das fronteiras agrícolas reduzem ou eliminam o abrigo e alimento dos morcegos e a exploração de minérios destrói seus abrigos, incluindo as cavernas.

É um alerta para refletirmos sobre como e com que intensidade exploramos os recursos naturais.

E é por tudo isso que não só o Brasil, mas também outros países emitiram selos sobre morcegos, dentro de uma política com o objetivo de esclarecer a importância dessas espécies animais e contribuir para a conservação dos recursos naturais. E, conseqüentemente, ajudar a preservar o meio ambiente.

Parabéns aos Correios, aos artistas plásticos e aos filatelistas, todos unidos à causa da preservação ambiental!

Veja também:

Correio lança selo “morcegos”

Selos retratam espécies brasileiras de morcegos

As novas gerações assistem online uma sucessão de desastres naturais ou de natureza mista (aqueles cujas causas contribuintes também incluem a atividade humana) que muitos de nós não testemunhamos no passado. Aparentemente não apenas devido às novas tecnologias que permitem a transmissão de cenas assustadoras em tempo real, onde quer que estejam acontecendo no planeta, mas possivelmente porque tais mega-desastres parecem ter sido registrados com maior freqüência nos anos recentes.

Deve haver um montão de teorias e discussões sobre o assunto, mas o propósito do presente escrito é mais o de discutir as possíveis conseqüências gerais destes desastres e alertar que devemos agir e nos preparar para enfrentar o pior, ainda que ele não nos ocorra.

Miremos o exemplo japonês e perguntemos: qual seria o impacto de um terremoto seguido de tsunami, como ocorreu agora em 11/03/2011 no Japão, ou de desastre similar, em nosso Brasil ou na América Latina?

Há indicadores que demonstram que se um desastre natural pode causar efeitos sérios em um país, seus efeitos equivalentes poderiam ser devastadores em um outro, pois diferentes localidades possuem diferentes vulnerabilidades e capacidades de lidar com as catástrofes, incluindo a prevenção, o seu enfrentamento e a recuperação subseqüente.

O BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento considera que o “Risco de desastres naturais continua alto na América Latina e Caribe” e adota indicadores de riscos de desastres naturais para medir tal risco: “(…) se o Peru fosse atingido hoje por um terremoto similar ao que atingiu o Chile mais no início deste ano, poderia sofrer perdas econômicas de até US$ 15,8 bilhões. Um evento semelhante poderia causar perdas de até US$ 5,2 bilhões no México, US$ 3,8 bilhões na Colômbia e US$ 3,5 bilhões no Equador”.

A mensuração dos fenômenos é o primeiro passo para compreendê-los e para lidar melhor com eles. Uma das principais lições que podemos tirar dos citados índices, além do alerta para a necessidade de prevenção e preparação para desastres, é de que tais desastres podem provocar prejuízos em perdas humanas, sociais e econômicas que muitos países não são capazes de enfrentar. Logo, a menos que contem com generosa e ampla ajuda externa, nunca poderão se recuperar. E como vivemos na era global, os efeitos acabam sentidos por todos, de uma maneira ou de outra, mais cedo ou mais tarde.

Um destes indicadores é o Índice de Déficit por Desastres (IDD), que “compara as perdas econômicas potenciais que um país pode sofrer e a capacidade financeira do governo para lidar com esses custos“. Há países da América Latina que possuem este índice com valor superior a um, indicando que as perdas potenciais são maiores que as respectivas capacidades de recuperação.

Lembramos do caso do terremoto do Haiti em 2010, país cuja miséria se agravou sobremaneira após o desastre e parece continuar na mesma situação, especialmente devido a haver pouco interesse econômico em transferir rios de dinheiro para recuperação daquele pobre território.

Há também o Índice de Desastres Locais (IDL), que “avalia os riscos sociais e ambientais derivados de desastres recorrentes de pequena escala, analisando o número de mortes, o número de pessoas afetadas e os danos a casas e plantações“. Estes chamam pouca atenção, especialmente da mídia, mas tendem a ocorrer repetidamente e os seus efeitos cumulativos dificultam o desenvolvimento econômico e social local e podem contribuir para criar a pobreza endêmica. Creio que podemos citar como exemplo o que ocorre nas regiões semi-áridas do Nordeste do Brasil, devido às secas endêmicas.

Um terceiro índice usado pelo BID é O Índice de Vulnerabilidade Prevalente (IVP), que “mede as condições de vulnerabilidade predominantes de um país avaliando a exposição da atividade humana e econômica em áreas sujeitas a desastres, bem como a capacidade de absorver os impactos de desastres. Os três indicadores que formam este índice composto consideram fatores como crescimento demográfico, densidade populacional, níveis de pobreza e desemprego, degradação do solo causada por ação humana, proporção dos gêneros, gastos sociais e seguros de infra-estrutura e moradia”.

Partindo do conceito do IVP, não é difícil entender a grande vulnerabilidade dos países da América Latina, incluindo regiões do Brasil, onde coexistem elevadas densidades populacionais, concentração maciça das populações em grandes centros urbanos que possuem precária infra-estrutura, pobreza, desemprego e ocupação irregular de morros ou áreas sujeitas a inundação, esta última uma busca desesperada por solução para moradia, proximidade do emprego e expectativa de vida digna. É aí que se constrói o cenário dos mega-desastres e os mais desfavorecidos são também os mais vulneráveis, quase sempre.

Finalmente, vejamos o que o BID registra sobre um quarto índice: “O Índice de Gestão de Riscos (IGR) combina várias medidas para avaliar a capacidade de um país identificar e reduzir os riscos, responder a catástrofes e recuperar-se delas e oferecer proteção financeira e transferência de risco. Todos os países analisados pelo índice apresentam níveis insatisfatórios de gestão de riscos de desastres”. Registro que o Brasil não foi avaliado.

A esta altura você já deve estar perguntando: e daí? O que é que eu tenho a ver com isto?

Eu diria que tudo, pois embora pouco provável que ocorram no Brasil terremotos ou tsunamis como os da Indonésia, Haiti, Chile e Japão, as enchentes das regiões Nordeste, Sudeste, Sul, Norte ou Centro-Oeste podem afetar qualquer um de nós. E também estamos sujeitos a outros tipos de catástrofes. Para quem procura exercer a empatia, é possível imaginar o sofrimento e desgraça que se abatem sobre as pessoas vítimas das emergências e calamidades públicas. Para quem tem maior dificuldade em sentir a desgraça alheia, há outros argumentos.

Além da solidariedade requerida de todos nós cidadãos para com os povos atingidos (num futuro post falarei sobre a importância do voluntariado nas calamidades públicas), precisamos nos preparar para enfrentar os desastres naturais. Como vimos, quanto mais bem preparados estivermos, menores serão os prejuízos, mais rápida a recuperação e maior a chance de rápido retorno à normalidade. O outro caminho seria pagar para ver, correndo o risco de nunca mais nos recuperarmos, ou coisa muito pior.

Por vezes pensamos que estamos totalmente seguros e que nossas vidas jamais sairão dos trilhos em que se encontram. Torço que seja assim para cada um de nós.

Mas nem sempre é assim. Veja abaixo a “vida fora dos trilhos e de pernas para o ar” em Branquinha, Alagoas, em decorrência das enchentes em junho de 2010: um tsunami de água doce varreu boa parte da cidade.

Proponho as seguintes reflexões:

Você acha que estamos preparados para enfrentar desastres naturais, quem sabe mesmo uma nova era de desastres decorrentes do aquecimento global?

Você se vê enfrentando um grande desastre natural, como este que ocorreu no Haiti em 2010 ou no Japão em 2011?

Você se vê, de uma hora para a outra, perdendo tudo o que tem?

Você se vê, de uma hora para a outra, dependendo da solidariedade alheia?

O que é que você, eu e nós todos temos a ver com isso?

No nosso mundo, todos estamos ligados, numa teia bem elaborada e intricada, onde as relações de causa e efeito são inexoráveis. Há algo denominado “Efeito Borboleta (The Butterfly Effect)”:

É um termo que se refere às condições iniciais dentro da teoria do caos. Segundo a cultura popular, (…), “o bater de asas de uma simples borboleta poderia influenciar o curso natural das coisas e, assim, talvez, provocar um tufão do outro lado do mundo”. Certamente que é uma metáfora.

Não ouso afirmar categoricamente que a nossa opção pelo consumo quase sem freios, que a exploração desmedida dos recursos naturais do planeta em busca do crescimento econômico “sustentável” e que a destruição das florestas e hábitat em todo o planeta são a única causa das mudanças climáticas que ora testemunhamos. Muito menos acharia razoável afirmar que tais comportamentos sejam a causa dos terremotos e tsunamis que atingiram o Japão em 2011, causando tantas mortes e destruição. Mas dizem que este desastre mudou o eixo da Terra e, quem sabe, pode mudar nossas vidas. Não importam tanto as causas, mas o problema também nos diz respeito.

Por outro lado, ouso acreditar que tudo e todos estão interligados neste mundo. Sabe aquela idéia do filme Avatar? Pois bem, quem sabe nosso planeta não seja muito mais que um substrato sólido de matéria inerte, apenas um suporte conveniente para a nossa fugaz existência? E quem sabe o nosso Planeta Terra estaria tentando demonstrar algo para nós?

Opino que é melhor que estejamos preparados. Hoje, não basta ser sustentável, o que para muitos já seria um sonho, como é o meu caso.

Enquanto sociedade nos preparemos para promover a paz – para não enfrentarmos os efeitos da guerra e da anomia;

Trabalhemos para erradicar a fome – para que os famintos não destruam o meio ambiente em busca de sustento ou riquezas;

Promovamos políticas públicas para que não exista uma só pessoa sem teto ou sem terra – para que os desabrigados e desprovidos de meios de sustento não desmatem, nem invadam e construam em encostas, ou nos leitos de rios, ou nos mangues – pois ou ficaremos sem as árvores e sem as nascentes e a sua preciosa água potável, e as enchentes e avalanches de lama trarão conseqüências irreparáveis para cada um de nós.

Josué de Castro dizia: “Metade da humanidade não dorme porque tem fome e a outra metade não dorme porque tem medo dos que têm fome”. Pois acredito que tudo e todos estão interligados neste mundo: não viveremos seguros, nem em paz, nem saciados, nem tranqüilos, nem saudáveis, enquanto destruirmos o planeta, enquanto houver injustiçados, enquanto houver famintos, enquanto houver doentes, enquanto houver desabrigados, em qualquer lugar.

Se ainda não o fizemos, mudemos a nossa atitude em relação ao planeta e também em relação ao próximo.

Adotemos um novo comportamento enquanto consumidores, pensando na preservação do nosso meio ambiente;

Tomemos iniciativas para prevenção e enfrentamento dos desastres naturais, bem como de ajuda para todos aqueles que estão sofrendo os devastadores efeitos dos mesmos, pois gostaríamos que assim fosse feito por nós;

Pois estamos vivendo uma nova era, em que a consciência ambiental, a responsabilidade social, a empatia e a solidariedade serão fundamentais para a nossa própria sobrevivência.



Muito legal a série de 10 animações sobre sustentabilidade ambiental e consumo consciente. A duração de cada uma é de aproximadamente dois minutos. Bom também para aulas, trabalhos escolares e bem que podia ser mais exibido em nossas televisões.

Assista ao primeiro episódio abaixo:

Assista aos demais episódios da série no gadget “Vídeos sugeridos”, no alto à esquerda do blogue, ou encontre-os no YouTube.

Abaixo, link para a notícia de lançamento da série, no site do Instituto Akatu:
Akatu, HP e Canal Futura lançam série de animação Consciente Coletivo

O que diferencia as ONGs genuínas das ONGs “Pilantrópicas?”

Existem diferenças entre Terceiro Setor, Organizações Não Governamentais – ONGs, Organizações Sociais – OS e Organizações Sociais de Interesse Público – OSCIP. Dentre estas existem as filantrópicas, na acepção da palavra, bem como aquelas que, devido ao seu modus operandi, o senso comum apelidou-as de “pilantrópicas”.

O processo de desenvolvimento econômico e social é composto pelo Estado (primeiro setor), pelo empresário privado que almeja lucro (segundo setor) e por entidades privadas sem fins lucrativos (terceiro setor). O Estado possui competências próprias e exclusivas. As entidades com fins lucrativos participam do processo de geração de emprego e riquezas. Já o terceiro setor, deve possuir ação pública apenas complementar ou supletiva, atuando em benefício daqueles que não são satisfatoriamente alcançados pela ação estatal.

As entidades do terceiro setor ao se qualificarem enquanto OS (Lei 9.637/98) ou OSCIP (Lei 9.790/99) se habilitam a receber recursos públicos para implementação de projetos.

As OS e OSCIPS nascem na iniciativa privada, para colaborar operacionalmente com o Estado. As demais ONGs não mantêm qualquer vínculo operacional com o Estado.  Embora possam colaborar com o Estado, não raro são críticas e demandam deste atuação mais efetiva ou diferente da empreendida.

Um bom exemplo de trabalho que encarna genuinamente o espírito das ONGs é aquele que foi desenvolvido por Zilda Arns Neumann. Fundou e coordenou a Pastoral da Criança. Usando a metodologia comunitária de multiplicação do conhecimento e da solidariedade entre as famílias mais pobres, reproduziu o milagre da multiplicação dos peixes e dos pães. Diz-se que, ao meditar a respeito de trecho do evangelho sobre a multiplicação dos peixes, chegou à conclusão que, “ […] em vez de ficar dependendo do governo, nossas famílias deviam se organizar para cuidar de seus filhos” (ALGO MAIS, 2010a, p. 41, grifo nosso). Sondou as comunidades e descobriu lideranças capazes de serem motivadas e preparadas para o trabalho de ações básicas. Fortalecendo as suas auto-estimas, essas pessoas faziam o bem aos vizinhos, sem gastar dinheiro. Multiplicados, tornaram-se um exército de voluntários. E o assistencialismo não estava em questão neste voluntariado. A transformação da comunidade vem pelos próprios integrantes, pela prática da fraternidade e não por interesses políticos ou partidários.

Ressalte-se que “[…] a pastoral da criança gasta em torno de R$ 1,30 por infante para o acompanhamento mensal. Enquanto o Governo está gastando mais de um salário para recuperar as crianças. Zilda Arns alertava: se o trabalho não é feito de fé, irá se acabar (ALGO MAIS, 2010a, p. 41-42, grifo nosso).

“em vez de ficar dependendo do governo, nossas famílias deviam se organizar para cuidar de seus filhos”

Um outro bom exemplo é a Associação Beneficente Criança Cidadã – ABCC, que desenvolveu o exitoso projeto “Orquestra Criança Cidadã Meninos do Coque”, com o objetivo de profissionalizar para o ofício musical 100 crianças e adolescentes com idades entre 8 a 15 anos. Baseia-se no método Suzuki de ensino, participação ativa dos pais, ensino integral, garante inclusive as três refeições diárias, além de atividades esportivas e arte-educativas aos finais de semana. As crianças do projeto foram selecionadas em escolas públicas, levando em conta critérios como desempenho escolar, assiduidades e avaliação vocacional. A ABCC é uma instituição sem fins lucrativos, tem apoio do Poder Público e Sociedade Civil Organizada, e a sua missão é fazer cumprir o que prega o Estatuto da Criança e do Adolescente. Sua iniciativa partiu do Poder Judiciário local, em 2002 (ALGO MAIS, 2010b).

Diversos públicos já se emocionaram com os resultados excepcionais deste projeto dos meninos do Coque. Tive a oportunidade de assistir a uma destas apresentações. As crianças tocam como verdadeiros profissionais. E é visível a elevada auto-estima das crianças, rivalizando esta, apenas, com a admiração e reconhecimento do público com a sua performance musical e social. No início do show os ouvintes são apresentados ao trabalho cidadão. E são alertados que cada criança do projeto, estudando, se profissionalizando, se alimentando e se integrando socialmente, custa em torno de R$ 1.000,00 por mês, ao passo que a manutenção de um preso no sistema carcerário custaria em torno de R$ 2.600,00, sem nenhum resultado visível quanto à ressocialização (o grifo é nosso). Caberia a nós escolhermos um destes dois caminhos, diz o apresentador.

“cada criança do projeto, estudando, se profissionalizando, se alimentando e se integrando socialmente, custa em torno de R$ 1.000,00 por mês, ao passo que a manutenção de um preso no sistema carcerário custaria em torno de R$ 2.600,00, sem nenhum resultado visível quanto à ressocialização”

O que estas duas ONGs têm em comum? Creio que lideranças representativas, capazes e verdadeiramente solidárias, seriamente comprometidas com as suas missões, que realizam um trabalho desprendido de interesses econômicos, políticos ou partidários, aptas a mobilizarem a sociedade e os seus recursos, de modo a que beneficiadores e beneficiários possam, por meio de esforços conjuntos, desenvolverem e expressarem os seus melhores esforços, qualidades e conquistas, em benefício de toda a sociedade.

Mas, infelizmente, nem todas as ONGs parecem agir assim, ainda que qualificadas como de interesse ou de utilidade pública, ou beneficentes de assistência social. E nem sempre as boas ONGs são aquelas escolhidas pelos gestores públicos para se tornarem parceiras, ao contrário do que parece ser muito comum entre as “pilantrópicas”. E há um filme que ilustra, com precisão, o que pretendemos discutir nos tópicos adiante. Dizem as resenhas do filme “Quanto vale ou é por quilo?”:

O filme faz uma analogia entre o antigo comércio de escravos e a atual exploração da miséria pelo marketing social, que formam uma solidariedade de fachada. O filme faz uma grande crítica as ONGs e suas captações de recursos junto ao governo e empresas privadas (WIKIPEDIA, 2010).

Adaptação livre do diretor Sérgio Bianchi para o conto “Pai contra Mãe”, de Machado de Assis, Quanto Vale ou É Por Quilo? desenha um painel de duas épocas aparentemente distintas, mas, no fundo, semelhantes na manutenção de uma perversa dinâmica sócio-econômica, embalada pela corrupção impune, pela violência e pelas enormes diferenças sociais. No século XVIII, época da escravidão explícita, os capitães do mato caçavam negros para vendê-los aos senhores de terra com um único objetivo: o lucro. Nos dias atuais, o chamado Terceiro Setor explora a miséria, preenchendo a ausência do Estado em atividades assistenciais, que na verdade também são fontes de muito lucro. Com humor afinado e um elenco poucas vezes reunido pelo cinema nacional, Quanto Vale ou É Por Quilo? mostra que o tempo passa e nada muda. O Brasil é um país em permanente crise de valores  (Interfilmes, 2010).

Há sempre os que ignoram ou mesmo tripudiam dos valores da democracia e do Estado Democrático de Direito, e deste modo, da própria coletividade nacional. Assim como também há malfeitores à espreita, na espera de oportunidades para pilhar o patrimônio coletivo. Suas condutas contribuem para o esgarçamento da delicada teia social.

Apesar de tudo, existiram e ainda existem pessoas como o maestro Cussy de Almeida, que dedicaram as suas vidas à construção de um mundo mais belo e semearam boas árvores, que darão bons frutos, a exemplo do fomento à Orquestra Cidadã Meninos do Coque, que certamente já produz bons frutos para a nossa sociedade. No momento de sua partida deste mundo, façamos ao maestro uma merecida homenagem. Agradeçamos a todas as pessoas como ele e sigamos os seus exemplos.

Referências

ALGO MAIS. Responsabilidade Social, Zilda Arns também ajudou os pernambucanos. Algo Mais, Recife: SMF/TGI, Ano 4, n. 47, p. 40-42, Fev. 2010.

ALGO MAIS. Orquestra Criança Cidadã dos Meninos do Coque forma crianças e adolescentes na arte da música. Revista Sim!, 2010. Disponível em: <http://www.revistasim.com.br/asp/imprimir_popup.asp? idtexto=4887&idsecao=12>. Acesso em: 14 maio 2010.

PEREIRA JÚNIOR, Jessé Torres; DOTTI, Marinês Restelatto. Gestão e Probidade na Parceria entre Estado, OS e OSCIP: Apontamentos sob a perspectiva dos Princípios e Normas Regentes das Licitações e Contratações Administrativas (Parte II). Boletim de Licitações e Contratos, São Paulo, n. 11, p. 1037-1052, nov. 2009.

WIKIPEDIA. Quanto vale ou é por quilo? Wikipedia, 2010. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/ Quanto_Vale_ou_%C3%89_por_Quilo%3F>. Acesso em: 11 maio 2010.