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O novo Código Florestal e os desastres ambientais: o que há em comum entre a monocultura, a cana-de-açúcar, a criação de bovinos, a pobreza, políticos corruptos, a destruição da mata ciliar e as enchentes, enxurradas e inundações?

Publicado: 20/05/2011 em Cidadania, Ecologia, Meio Ambiente, Saúde, Sustentabilidade
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O caderno Ciência e Meio Ambiente do Jornal do Commercio, domingo, 08 de maio de 2001, folha 5, trouxe a seguinte matéria:

“Mata ciliar é solução para as inundações”.

Fiquei muito animado com a notícia! No momento, o novo Código Florestal é discutido no Congresso Nacional, promovendo a tentativa de reduzir as áreas de preservação de florestas em margens de rios (mata ciliar), por grupos cujos principais interesses são egoístas e que ignoram as necessidades e sofrimentos coletivos, além do imperativo da preservação ambiental.

Ao mesmo tempo, vemos se multiplicarem os desastres ambientais, a exemplo das enchentes, enxurradas, inundações e deslizamentos de terra, em 2010 e 2011, atingindo Pernambuco, Alagoas, Região Serrana do Rio de Janeiro e outras regiões do Brasil, como as regiões Sul, Centro-Oeste e Norte, com mortes e grande número de pessoas desalojadas e desabrigadas. Muitas dessas pessoas estão desabrigadas desde desastres ocorridos anteriormente ao último registrado. E, não bastasse a tragédia humanitária e as perdas de vidas, os brasileiros em geral, toda a nação, têm de arcar com o incalculável custo de recuperação e reconstrução daquilo que foi destruído. É bom lembrar que as populações mais pobres são aquelas que geralmente sofrem as principais conseqüências dos desastres, aqui e em todo o mundo.

Os artífices do novo Código Florestal argumentam que não há “provas científicas” que justifiquem a manutenção da mata ciliar!

Me poupem, ilustres parlamentares!

Quando se trata de segurança e sobrevivência da humanidade, prevalece o princípio da segurança e torna-se desnecessário provar o óbvio, o ululante. Na dúvida, preserve!

Mas, ainda assim, o cientista ambiental André Alcântara, sob a orientação do pesquisador Ricardo Braga, com apoio da Sociedade Nordestina de Ecologia e com financiamento pelo Fundo Nacional do Meio Ambiente, provou para os céticos, inconseqüentes e egoístas que a mata ciliar precisa ser protegida:

“a vazão da água é bem maior em áreas cultivadas que em áreas florestadas”.

Mas o que isso significa? A tabela a seguir ilustra os resultados e alcance do estudo:

Local

Vazão

(l/s por km2)

Oxigênio dissolvido na água

Necessidade de tratamento da água para consumo

Estação 01 – Próximo da nascente: rio margeado por floresta Atlântica

24,7

Acima do necessário para a água ser considerada própria para consumo Necessita apenas cloração
Estação 02 – Rio cercado por agricultura de subsistência e mata em regeneração

62,6

Próximo do mínimo necessário para a água ser considerada própria para consumo Necessita de tratamento completo
Estação 03 – Margens ocupadas por pasto e canavial

177,6

Muito abaixo do mínimo necessário para a água ser considerada própria para consumo Necessita de tratamento completo

Ou seja:

“em áreas cultivadas, a vazão do rio é sete vezes maior que nas áreas florestadas”, pois onde havia pasto e cana a vazão chegou a 177,6 litros.

Traduzindo, em termos práticos, acrescento aqui uma pequena contribuição ao debate:

Quais são os municípios pernambucanos (e provavelmente também alagoanos) mais atingidos pelas enchentes em 2010 e 2011? Quais as suas principais formas de exploração e uso do solo, conforme dados de 2010?

Município

Situação de desastre ambiental em 2010 e 2011

Densidade demográfica (hab/km2)

Taxa de urbanização (%)

Renda per capita

Taxa de analfa-betismo

– 15 anos e mais (%)

Principal cultura -agrícola e pecuária

(maior valor da produção em R$ e maior efetivo dos rebanhos, respectivamente)

Água Preta Calamidade Pública 60,84 56,61 65,5 39,60 Cana-de-açúcar e bovinos
Barreiros Calamidade Pública 174,49 83,42 93,22 30,76 Cana-de-açúcar e bovinos
Catende Calamidade Pública 182,82 76,33 104,19 33,94 Cana-de-açúcar e bovinos
Cortês Calamidade Pública 122,94 63,45 74,18 36,09 Cana-de-açúcar e bovinos
Jaqueira Calamidade Pública 129,22 61,57 65,03 39,94 Cana-de-açúcar e bovinos
Maraial Calamidade Pública 62,46 70,03 60,57 42,77 Cana-de-açúcar e bovinos
Palmares Calamidade Pública 176,71 78,76 134,47 27,78 Cana-de-açúcar e bovinos
Primavera Calamidade Pública 122,24 63,84 84,88 32,67 Cana-de-açúcar e bovinos
Xexéu Calamidade Pública 127,18 65,04 64,99 43,94 Cana-de-açúcar e bovinos
Quer mais? Veja a tabela completa, ao final, incluindo municípios em situação de emergência.Dados: http://www.bde.pe.gov.br/ArquivosPerfilMunicipal

São justamente aqueles municípios que têm os tipos de agricultura e pecuária apontados como tendo maior vazão em decorrência das chuvas. Não bastasse a pesquisa sobre vazão menor em áreas com preservação de matas ciliares, realizada em Pernambuco, acrescentam-se os dados acima, que são óbvios, ululantes!

Erosão do solo pelas águas em plantio de cana-de-açúcar

Erosão do solo pelas águas em plantio de cana-de-açúcar

O que possuem em comum os municípios de Pernambuco, em estado de calamidade pública, em decorrência das enchentes em 2010 e 2011? (pode incluir também aqueles em situação de emergência)

a)      Cana-de-açúcar como principal cultura agrícola;

b)      Criação de bovinos em pastagens como principal atividade agropecuária;

c)       Geralmente possuem elevadas densidades populacionais (é provável que este seja um dos principais componentes dos graves desastres ambientais!);

d)      Geralmente possuem elevado percentual de urbanização;

e)      Geralmente possuem baixa renda “per capita”;

f)       Geralmente possuem elevados percentuais de analfabetismo entre jovens e adultos, ao qual podemos somar o analfabetismo funcional.

Todos esses fatores estão relacionados entre si e também com baixos IDH (índice de desenvolvimento humano), péssimos indicadores de saúde, elevado desemprego, grande violência e outras mazelas.

Neste contexto, é difícil esperar o exercício efetivo da cidadania. Ainda mais, esperar que essas pessoas pensem e lutem pelo meio ambiente, se não percebem que as suas condições de vida estão associadas a todos esses fatores. Suas crianças e jovens mal podem freqüentar as escolas, com estradas e pontes esburacadas, enlameadas ou interrompidas pelas sucessivas enchentes, além do ainda existente trabalho infantil.

É o alto preço cobrado devido à opção histórica pela monocultura, ocupação e exploração desordenada do solo e abandono educacional das pessoas!

Certamente que a cultura da cana-de-açúcar e a pecuária têm sua importâncias para as pessoas. E certamente que há municípios com cana-de-açúcar e bovinos como principais atividades agropecuárias e que não estão em estado de calamidade pública, e vice-versa. Mas as realidades de Pernambuco e Alagoas são sintomáticas.

Estudos “científicos” de associação de causa e efeito entre múltiplos fatores, tais como fatores ambientais, sociais, econômicos e culturais não são fáceis, tampouco estarão isentos de críticas quanto aos seus alcances e validades. Porém, deixo esta proposta para os pesquisadores em geral, para que realizem vários estudos científicos envolvendo essas temáticas, com grandes promessas de recompensa para a humanidade.

Finalmente, do que foi exposto até então, algumas soluções emergem como óbvias:

– É necessário preservar, recuperar e ampliar a mata ciliar e as florestas em geral. Precisamos de um NOVO Código Florestal que preserve e aumente as florestas, não precisamos de um pernicioso código florestal que proclame a sua dizimação e exploração irracional. Mas, acima de tudo, precisamos desenvolver uma consciência coletiva de respeito ao meio ambiente e à coletividade, que vá além do dever ser das leis, que faça acontecer. Afinal, de “boas” leis o Brasil está cheio. Faltam os bons costumes;

– É necessário educar as pessoas, libertando-as dos grilhões que as prendem à exploração política e à miséria. Educação e cidadania têm de sair dos discursos vazios e mentirosos de candidatos irresponsáveis e despreparados, tornando-se resultados concretos por intermédio de administradores públicos profissionais, competentes e comprometidos com a coletividade;

– É necessário diversificar as culturas agrícolas e pecuárias, explorando-as de forma respeitosa à preservação do meio ambiente e recursos naturais, assim como adequada às necessidades das pessoas, de suas famílias e de suas coletividades;

– É necessário fixar os homens e suas famílias no campo, provendo terra e condições adequadas para a produção agropecuária sustentável. Enquanto consumidores, deveríamos assumir compromisso de compra junto aos agricultores familiares, que teriam a certeza de continuidade de suas atividades, permanecendo no campo. Enquanto governo, aplica-se o mesmo. Aliás, isto já é feito pelo Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar (PAA), que em Pernambuco, atualmente, adquire da agricultura familiar e distribui com as famílias atingidas pelos desastres;

– É necessário reduzir a urbanização e os grandes adensamentos populacionais. Devemos falar em interiorização das populações, mas também creio que devemos perder o medo de falar em controle de natalidade e sobre o controle do crescimento populacional!

Pois aí estão as causas dos desastres naturais, da pobreza e dos principais flagelos da humanidade, incluindo a fome, a falta de abrigo salubre, as doenças, a violência e a miséria. Não é assim que queremos viver a humanidade!

(mais…)

Apresento a seguir um link sobre reportagem de uma série jornalística sobre lixo.

Não conheço detalhes do projeto nem do sucesso da iniciativa. Porém, basta para nos lembrar que, qualquer que seja o projeto de obras, é possível dotá-lo de múltiplos propósitos, incluindo a preservação do meio ambiente e a sustentabilidade.

Certamente que no Brasil, onde regiões como Norte e Nordeste sequer possuem maioria de habitantes servidos por sistema de esgotamento sanitário, e padecem de elevadas taxas de morbidade e mortalidade infantil por doenças de veiculação hídrica, isto ainda está muito longe de acontecer. Mas não custa sonhar.

Quem sabe, um dia, despertamos para a importância de identificar e selecionar corretamente o que é prioridade. Especialmente porque ainda temos muita pobreza, o que torna a satisfação das necessidades básicas e essenciais infinitamente mais importante do que obras voluptuárias ou do que a satisfação de vaidades de nossos governantes, representantes políticos e até mesmo de muitos brasileiros.

A solução de Barcelona evita que o lixo se espalhe pela cidade, enquanto aguarda ser recolhido ou durante o transporte (como ocorre em terras tupiniquins), retira caminhões de circulação, com menor poluição do ar e sonora. De quebra, deve reduzir os veículos em circulação, melhorando o trânsito.

Assista ao vídeo:

Veja mais sobre líxo e reciclagem:

Por que reciclar pilhas e baterias? Links de PEV, coletores, postos de reciclagem

A insustentável lerdeza do trânsito metropolitano de Recife e capitais: perdemos bens preciosos como tempo em família, lazer, exercícios e saúde, em troca do uso diário do automóvel, trânsito caótico, atropelamentos e acidentes envolvendo caminhões, ônibus, carros, motocicletas, bicicletas e pedestres, além de poluição, stress e doenças do coração…

Publicado: 08/05/2011 em Cidadania, Meio Ambiente, Saúde, Sustentabilidade
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É mole ou quer mais?

Muita gente pensa que abdicar do (suposto) conforto do automóvel e encantos do consumo é o mesmo que voltar à barbárie. Será?

Mas o que caracteriza a barbárie?

– Seriam os milhares de pedestres e ciclistas atropelados, mortos ou lesados por carros e motos que, sendo maiores e mais fortes, se consideram os donos das ruas?
– Seriam as mortes e lesões corporais em milhares de motociclistas, atropelados por motoristas ensandecidos?
– Seriam as agressões recíprocas entre condutores estressados, que perderam o bom senso, a cortesia, a solidariedade e os traços de conduta que caracterizam os povos civilizados, partindo para a competição destruidora e agressões verbais e físicas, por vezes cometendo homicídios?
– Seria o barulho ensurdecedor de buzinas acionadas por motoristas, que não suportam mais ficarem presos no interior dos seus carros, em cruzamentos trancados por veículos que tentam atravessar ao mesmo tempo as vias, em todos os sentidos?
– Seriam os assaltos, por vezes latrocínios, ocorridos em arrastões que ocorrem quando o trânsito está parado?
– Seriam as toneladas diárias de emissão de carbono que saem dos escapamentos de motos, carros, ônibus e caminhões, provocando o aquecimento global, que provoca chuvas, enchentes, enxurradas e furacões, tirando vidas e deixando as vidas restantes um inferno?

O próprio direito de ir e vir, ou a liberdade de escolha de como podemos nos deslocar nas cidades, estão seriamente lesados:

a) Não podemos nos deslocar de ônibus, sem perder um tempo enorme dos nossos dias, pois nossos transportes coletivos estão longe de atenderem às necessidades da população. Sem falar nos riscos constantes de assaltos em certas linhas e horários;
b) Não podemos nos deslocar de moto, sem participar das estatísticas de lesões corporais ou de mortalidade, com ou sem seqüelas, dada a prepotência, arrogância e insanidade de inúmeros condutores de automóveis, ônibus e caminhões;
c) Não podemos nos deslocar de bicicleta, pelos mesmos motivos que afetam os motoqueiros, sendo que também os motoqueiros atropelam bicicletas;
d) Não podemos nos deslocar caminhando, sem correr um alto risco de atropelamento, por qualquer que seja o tipo de veículo, além do perigo de assaltos.

Pois bem: não estamos falando de um risco inerente à vida normal, ao qual todos estamos sujeitos no dia-a-dia. Nossos riscos, no Brasil de hoje, são muito maiores do que os riscos equivalentes em países verdadeiramente civilizados. Basta pesquisar na web nossas taxas de morbidade e mortalidade por causas externas.

Quantas vidas, quanto conforto, quanto bem-estar, quanta saúde, quantos bilhões ou trilhões de reais estamos perdendo com toda essa situação? Será que ninguém percebe que, isso sim, é barbárie?

Francamente, a vida que hoje vejo em Recife, que não deve ser diferente do Rio e São Paulo (cidades onde já morei), nem de outras grandes capitais do Brasil, quem sabe do mundo afora, não é civilização, mais parece barbárie. E muitas vezes não adianta se mudar: há cerca de 10 a 15 anos muitos moradores da Região Sudeste se dirigiram para as águas mornas do litoral nordestino, com ânimo de fixar residência, para fugir do caos urbano. Dependendo da cidade para onde foram, estão revivendo hoje as suas vidas antigas, ou não estão longe de revivê-las.

Com doses diárias e pequenas, fomos nos acostumando com isso: já cheguei a gastar 7 minutos de casa para o trabalho, de carro, em meses de férias escolares, percorrendo um trecho de 3,5 quilômetros. Em média, gastava 10 a 15 minutos, normalmente. Depois, as coisas começaram a mudar: 20 minutos em média, pois cada vez existem mais semáforos e mais veículos. Não tardou, o tempo mais comum passou a ser de 25 ou 30 minutos. Hoje, não raro, gasto 40, 50 ou 60 minutos para fazer o mesmo percurso, de carro. Isso é conforto e comodidade? Na verdade, virou insanidade.

Precisamos fazer algo e não simplesmente esperar que as nossas autoridades “iluminadas” tomem medidas para debelar as causas dos problemas e não apenas os seus efeitos.

O que podemos fazer?

Eu, você e nós:

1) Para quem tem capacidade física suficiente e mora não muito longe do trabalho ou da escola, que tal ir a pé? Gasto 35 minutos para percorrer 3,5 quilômetros até o trabalho, caminhando normalmente. Dependendo do dia, chego mais rápido do que de carro. Chego suado, é verdade, mas estamos nos trópicos. Nada que um kit jeans, camisa pólo, tênis, meias confortáveis e toalha não resolvam. Nos tempos de chuva, precisamos de um pouco mais: sapatos ou botas adequados, guarda-chuvas, capas ou jaquetas impermeáveis;
2) Que tal caminhar até a escola, sempre que possível, ou avaliar a viabilidade de usar transporte escolar para os nossos filhos?
3) Experimentar o transporte solidário: não raro, abrindo mão de um pouco de comodidade, podemos conciliar horários e trajetos de veículo com familiares, amigos e colegas de trabalho;
4) Exigir o direito de compartilhar o prejuízo do tempo perdido no trânsito com os empregadores. O problema é de todos e todos são responsáveis pelas soluções. Além disso, boa parte deste problema é causado pela omissão do Poder Público. Não é justo que o ônus recaia inteiramente sobre o trabalhador que, para chegar pontualmente ao trabalho, precisa sair cada vez mais cedo de casa. E, ainda, chega cada vez mais tarde em casa, privando-se e aos familiares do tempo para suas necessidades diárias, incluindo convívio familiar, lazer e repouso (É um tema que merece discussão ampliada);

Os empregadores:

1) Disponibilizar bicicletário para os seus trabalhadores;
2) Disponibilizar locais para banho e guarda-volumes, além de bicicletários, para viabilizar o hábito de deslocamento a pé ou de bicicleta;
3) Promover políticas de dias de trabalho em casa, sempre que isso for viável ao tipo de atividade. Estar presente no trabalho nem sempre implica em trabalho, produção e resultado;
4) Reduzir e flexibilizar a jornada de trabalho, inclusive em horários corridos, aumentando as opções de escolha de horários de trabalho, o que permite uma melhor distribuição das pessoas em deslocamento, no decorrer do dia.

Os eleitores:

1) Votar em representantes políticos comprometidos com soluções sustentáveis e responsáveis com o bem-estar, saúde das pessoas e preservação do meio ambiente;
2) Não votar em políticos que já tiveram a sua chance e nada fizeram para resolver esses problemas. Ao contrário, se autopromoveram e se locupletaram a partir da função pública;
3) Participar ativamente da vida política. Quando dizemos que não gostamos de política e nos omitimos, delegamos aos incompetentes e aproveitadores as decisões que mudam para pior as nossas vidas: dá no que estamos vendo aí!

4) Não havendo outra solução, por que não iniciarmos ações populares, conforme previsto em nossa Constituição Federal?

O Poder Público:

Deixar de fingir que o problema não é dele e adotar todas as medidas já conhecidas para mitigar e/ou solucionar os problemas direta e indiretamente ligados ao trânsito, como todos aqueles citados no início do texto. Não podem ser apenas medidas pontuais. São problemas que requerem soluções holísticas e efetivas. Exigem visão de longo prazo, bons diagnósticos, ótimo planejamento,  e trabalho cooperativo e coordenado. Exigem a participação de diversas pessoas, autoridades, entidades e esferas governamentais: Ministério Público, Poder Judiciário, Poder Legislativo e Poder Executivo, incluindo secretarias ou ministérios, órgãos de trânsito, planejamento, administração, obras e infra-estrutura, meio ambiente, saúde, ação social, educação e comunicação, bem como do Terceiro Setor, Escolas Públicas e Privadas, Sindicatos, dentre outras, além de trabalho árduo e incessante de todos. Sem esquecer do exercício da cidadania.

Não podemos deixar de enfatizar a necessidade de priorizar os transportes coletivos, disponibilizar vias exclusivas para esses, proporcionar mais ciclovias e muito mais segurança para ciclistas e pedestres, além de cobrar mais pela circulação do automóvel usado individualmente em dias e horários de grande fluxo, bem como promover mais medidas educativas e corretivas para reduzir a violência no trânsito.

Tudo isso tende a diminuir o número de veículos em circulação, reduz a perda de tempo em congestionamentos, minimiza o stress, contribui para melhorar a saúde coletiva e é bom para o meio ambiente.

Não pretendo ignorar outros direitos e necessidades, nem prever todas as soluções possíveis, tampouco suas eficácias. Portanto, conto com a sua colaboração cidadã, para aumentar e melhorar esta lista e discussão.

Mas temos uma outra alternativa: fingir que o problema também não é nosso e esperar para ver como estaremos vivendo daqui a 5, 10 ou 15 anos. Para depois fazermos o balanço entre perdas e ganhos. É pagar para ver.

E aí, você topa ou não topa se engajar neste movimento?

Veja mais sobre o tema em:

Caminhar na ida e volta do trabalho
Trânsito sem Controle – JC Especial

POR QUE RECICLAR PILHAS E BATERIAS? ref. Blog Autossustentável.

Recomendo este ótimo guia do Blog Autossustentável, que esclarece as razões para darmos um destino apropriado às pilhas e baterias, assim como a qualquer lixo tóxico, bem como ensina  o que fazer com estes materiais.

Em resumo, os riscos ao meio ambiente e à nossa saúde são enormes ao jogarmos pilhas e baterias no lixo comum, trazendo sérios prejuízos. Daí a necessidade de assumirmos a nossa parte, no que se chama responsabilidade compartilhada: se por um lado os fabricantes e comerciantes são responsáveis pelo recolhimento e reciclagem dos materiais comercializados, cabe a nós não jogá-los no lixo comum, poluindo o ambiente. Devemos sim, entregar as pilhas e baterias descartadas em PEV – Postos de Entrega Voluntária, existentes em diversos lugares e cidades. Basta procurar os lugares na web e difundir o conhecimento e as boas práticas com nossos amigos e familiares.

Abaixo, alguns links para localizar PEV perto de você, que recebem diferentes materiais para reciclar:


– Postos de Coleta de Pilhas nas Agências do Banco Real

– Coleta de garrafas PET

– Rota da Reciclagem

– Lixo Eletrônico em São Paulo – e-lixo Maps

Há muitos PEV que não estão cadastrados, principalmente em sistemas mapeados, a exemplo do Google Maps. Assim, o que podemos fazer?

1) Empresários e Comerciantes: é importante que cadastrem e divulguem seus PEV nos diferentes serviços disponíveis na WEB, agregando valor aos seus produtos e serviços.

2) Governos dos Estados e Municípios: cadastrar e dar ampla publicidade dos serviços de coleta e PEV disponíveis em suas jurisdições;

3) Você e Eu:

a) Cadastrar no Google Maps os PEV de nosso conhecimento, da mesma maneira que as pessoas inserem fotos e tags no mapa;

b) Estimular empresas e comércio a criarem PEV em suas instalações. Preferir produtos e serviços daqueles que demonstrem responsabilidade ambiental;

c) Assumir nossa parte na responsabilidade compartilhada, separando, recolhendo e entregando pilhas, baterias, garrafas PET, etc., para os PEV e destinando-0s à coleta seletiva e reciclagem apropriados;

d) Se você conhecer outros links, além dos citados acima, por gentileza, divulgue-os.

Finalmente, há links indicativos de uma lista nacional de postos de coleta do Ministério do Meio Ambiente, mas que levam o usuário ao sítio institucional, onde não encontrei a referida lista. Pode até estar lá em algum lugar, mas o link não é direto e não localizei a lista facilmente.

Espera-se que o MMA dê maior publicidade à lista, facilitando a vida dos usuários interessados em fazer a sua parte, no tocante à reciclagem de resíduos. E também, que os Governos Estaduais e Municipais disponibilizem serviços de cadastro e localização geográfica dos PEV de diferentes materiais, a exemplo do e-Lixo Maps do Governo de São Paulo.

Referência:
POR QUE RECICLAR PILHAS E BATERIAS? – do Blog Autossustentável.

Que tal experimentar um dia sem carro, apenas caminhando? Você vai se sentir muito bem!

Em Recife/PE tornou-se um suplício as idas e vindas do trabalho. Quer você esteja em um ônibus ou se deslocando de carro, você vai gastar horas e horas do seu precioso tempo no trânsito lento da cidade. E como o tempo é o nosso bem mais precioso, que passado, não volta mais, cabe buscarmos alternativas para melhor utilizá-lo.

Em poucos anos, a quantidade de veículos aumentou enormemente em nossos centros urbanos. Uma matéria publicada no Diário de Pernambuco (de Carolina Khodr), em 05/12/2010, proporciona interessantes reflexões sobre o assunto. “Cidade grande, perigo idem”: duplica o risco de infarto quanto alguém está preso em um engarrafamento, pois respira-se mais poluentes, além do estresse. São comentários do pesquisador da USP, Paulo Saldiva, médico e estudioso de poluição ambiental. Quanto maior a poluição nas cidades, menor a expectativa de vida. Aumentam as mortes por câncer de pulmão, doenças respiratórias e infartos.

Note-se que o transporte coletivo nunca foi prioridade na maioria das cidades do Brasil. Resultado: desperdício de tempo e de combustível, prejuízo para a economia, poluição do ar e sonora, estresse e menos tempo para fazer o que realmente importa para cada um de nós: estar com a família, exercitar-se, trabalhar, dedicar-se ao lazer, etc.

Um trecho que normalmente seria percorrido em 10 minutos, hoje reclama de nosso tempo 20, 30, 40 minutos ou mais, se você não morar muito longe do trabalho. Parece pouco, mas não é. Imagine um acréscimo de 10 minutos em cada trecho de deslocamento. Ida e volta são mais 20 minutos diários, quase 2 horas a mais gastas por semana, cerca de 7 horas despendidas a mais por mês e quase 4 dias por ano no interior de um veículo. Preso em um carro ou em um ônibus, pouco podemos fazer além de ouvir música, um audio livro, além de sofrer o eventual stress com o trânsito, o qual requer total atenção para evitar acidentes, se você estiver dirigindo. É possível usar melhor esse tempo? Creio que sim.

Moro a cerca de 4km do trabalho, de carro. Hoje gasto entre 20 e 40 minutos a cada ida ou volta. Saindo antes das 7:00h e voltando antes das 17:00h, o tempo tende a encurtar. Um colega gasta 15 minutos de bicicleta, buscando vias menos utilizadas pelos veículos. Mas temo essa alternativa, pois os motoristas não respeitam ciclistas nem pedestres, e quase não temos ciclovias, ao contrário de alguns países que valorizam muito mais o pedestre e a bicicleta. Decidi então tentar um uso mais nobre para o meu tempo. Por que não uma caminhada de volta do trabalho?

Selva de pedra
(Visão da travessia de pedestres na Av. Conde da Boa Vista, no centro de Recife: por incrível que pareça, ainda são minoria os motoristas que param para os pedestres atravessarem na faixa. E os motoqueiros, menos ainda. Clique na foto para conhecer minha galeria de fotos no Flickr)

No Google Maps, descobri que a caminhada para casa era de 3,2km, estimada em 35 minutos. Resolvi tentar. Num dia, fui de carona para o trabalho. Usava jeans, camisa pólo e tênis confortável. Esperava tão-somente trocar o tempo no interior de um veículo por uma atividade física aeróbica, gastando quase o mesmo tempo. De quebra, contribuiria para reduzir o número de veículos em circulação e, também, para reduzir a emissão de CO2 e outros gases nocivos ao ambiente, causadores do efeito estufa. Porém, ganhei mais que isso.

Mal deixei o prédio em que trabalho, caminhando por uma avenida na qual não passaria com o meu carro, encontrei um amigo que há tempos não tinha o prazer de ver. Foram 5 minutos de animada conversa. Me despedi e continuei a jornada. Observei cenas que usualmente não vemos quando no interior de um veículo: a paisagem é diferente, estamos mais perto das pessoas e de tantas coisas interessantes que há nas ruas, vemos os prédios e suas fachadas de ângulos diferentes, e temos uma visão mais privilegiada do céu.

Mas não é só isso. Logo percebi que me entreguei a divagações que não são permitidas quando estamos dirigindo, pois o trânsito reclama maior atenção e esta, por sua vez, gera maior tensão. Caminhando, redescobri o hábito de viajar em pensamento, refletindo sobre o significado de cada cena com a qual me defrontava.

No papel de pedestre, logo percebi o quanto nós motoristas podemos ser egoístas e perigosos, assim como as nossas cidades deixaram de ser das pessoas para serem dos carros.

Cada travessia de avenida representou um verdadeiro desafio, mesmo na faixa de pedestres, pois quase sempre haverá passagem de veículos vindos de um determinado sentido, quando o sinal estiver fechado para um outro. E pernas para que te quero. Isso porque não sou idoso, nem portador de necessidades especiais. Do contrário, seria quase impossível tal deslocamento. Mas este torna-se apenas um inconveniente quando confrontado com maiores benefícios.

No caminho, passei por diversas padarias onde não costumaria parar, pelas dificuldades de estacionar. Sendo um final de tarde, e como estava caminhando, escolhi uma delas para comprar o pão francês nosso de cada dia, diferente daquele encontrado na padaria da esquina de casa. Não tardou e eu estava de volta às ruas, no caminho de casa. A cada passo, as cenas em volta se tornavam mais familiares.

Não demorou muito, cheguei à minha rua e ao meu prédio. Um pouco ofegante, bastante suado. O porteiro logo notou e perguntou de onde eu vinha. Achou legal a iniciativa e comentou que aquilo me faria muito bem. Subi, fiz alguns alongamentos, tomei um banho gostoso e logo estava pronto para continuar a minha rotina diária.

Nas semanas seguintes, repeti a experiência, esperando torná-la um hábito, com as vantagens dos benefícios que pode nos trazer. É bom lembrar que o estilo de vida influencia muito a nossa saúde. Repetindo os trajetos, escolhi melhores locais para atravessar ruas e avenidas, além de calçadas que permitem mais fácil deslocamento.

Alguns colegas de trabalho perguntaram se não era inseguro, temendo assaltos. Comentei que não via qualquer diferença de qualquer outra curta caminhada que tenhamos de fazer, perto de casa. É prudente não ostentar objetos de valor. Além disso, se não ocuparmos nossas ruas, aí sim, estas serão ocupadas por quem não queremos. Enfim, creio ser esta uma boa alternativa para muitas pessoas: saudável e ecologicamente benéfica. Quem puder, experimente passar um dia sem carro.

Espero apenas que os nossos governantes atentem para os problemas do trânsito urbano, buscando solução para o mesmo e, sobretudo, que garantam maior segurança aos pedestres e ciclistas. E que nós, enquanto motoristas, vez por outra nos coloquemos na pele dos pedestres. Assim respeitaremos mais aqueles que se deslocam pelas nossas ruas e avenidas.

Nesta foto panorâmica que postei no Flickr, temos uma rara visão de dois arco-íris sobre o Parque da Jaqueira em Recife/PE, num dia de chuva e sol. Algumas gotas pingaram sobre a minha objetiva, mas foi por uma boa causa.

*Parece a bandeira de Pernambuco? Imortal na imagem e em nossas mentes, fugaz como o tempo.

Da minha Janela, arco-íris (From my Window, the rainbow)
(Clique na foto para conhecer minha galeria de fotos no Flickr)

É o verde lutando contra o concreto, sobrevivendo teimosamente. É ele quem possibilita tais fenômenos. No passado, ouvíamos mais trovões em Recife e Olinda, as chuvas eram mais regulares, a vida se multiplicava tremendamente com as chuvas, por todas as partes. A vida era mais saudável sob diversos aspectos, afirmação que não ignora os avanços decorrentes do progresso científico e tecnológico, nem o aumento da esperança de vida (veja abaixo o conceito de saúde).

Áreas verdes como estas são cada dia mais raras, e devemos lutar não só para preservá-las, mas sobretudo para ampliá-las. O concreto embrutece, o verde enriquece e faz nossas vidas valerem mais a pena.

Já morei no Rio de Janeiro e em São Paulo. E Recife está ficando (ou já ficou) com os mesmos problemas dessas grandes cidades: violência, estresse, um ambiente desfavorável à vida saudável. E saúde, como me ensinou um sanitarista, é “Viver Mais e Melhor”. Não basta “Viver Mais”. Tem que ser Melhor, também. E é difícil conseguir isso com todos os problemas e todas as preocupações que a cidade grande traz. Basta experimentar uma viagem por lugares naturais como praia ou campo, e ver como retornamos revigorados. Quanta diferença com a vida puramente urbana.

Cada vez nos distanciamos mais de nossas origens naturais. Passamos a considerar naturais os adensamentos populacionais patológicos e toleramos o ambiente feio, cheio de fios, de outdoors, de pedras, com poluição do ar e das águas, com poluição luminosa… Já não se vê nos céus das grandes cidades o que as pessoas de interiores mais distantes ainda vêem: galáxias, nebulosas, muitas vezes a olho nu. Poluição sonora… estresse, irritação… E não entendemos o motivo das pessoas se tornarem cada vez mais irritadas, frias, desconfiadas, intolerantes. É um ambiente inóspito, impróprio para a expressão de muitas das melhores qualidades dos seres humanos.

E a foto escolhida nos lembra que a cidade pode ser mais bonita, mais natural. Em Recife, felizmente, o atual prefeito decidiu reservar uma nova área que seria destinada à construção de um centro comercial para ser um parque natural, no caso, o Parque da Tamarineira, mais verde para o recifense!

Polêmicas à parte, relativas às possíveis vantagens de um centro de compras (sempre o consumo!), sobre mais renda, mais emprego, mais riqueza… Nenhum modelo de desenvolvimento que pressupõe a necessidade de crescimento continuado como condição para o bem-estar social e desenvolvimento humano é sustentável. Além de ser perverso e auto-destrutivo.

O nosso ambiente tem uma capacidade de suporte limitada (capacidade de suporte é um conceito bem conhecido da Biologia Populacional: é quanto o ambiente pode sustentar em quantitativo de certa população. Próximo e acima deste limite surgem ou se tornam mais frequentes certas patologias que afetam severamente as populações. Há doenças que só persistem com elevadas densidades populacionais. As consequências são doenças, custos impagáveis, mortes. Ninguém pense que cenas como a da peste na idade média não podem voltar a ocorrer. Basta uma guerra ou uma catástrofe natural. E isto ocorre sempre, mais dia, menos dia.

É típico dos países subdesenvolvidos concentrarem a maior parte de suas populações em grandes cidades. Por isso, na minha opinião, parabéns ao Prefeito João da Costa pela corajosa decisão de não seguir os interesses exclusivamente econômicos ou quaisquer outros, que não a saúde das pessoas e do ambiente.

Não é exagero a fábula do filme “Onde está Wall-E?”. Os seres humanos expulsos do próprio planeta por eles envenenado, vagando por séculos numa espaçonave, até que um dia a vida volta a ser possível naquele lugar. Começar tudo outra vez. Quem sabe seguindo outro modelo de civilização. O preço foi alto, embora já não mais lembrassem o que era a vida como fora concebida pela natureza, tão acostumados estavam com o exílio no espaço. Mal podiam sustentar seus corpos obesos com esqueletos atrofiados, dada a falta de atividade física. Nem sabiam mais o que era interação social, com outro ser humano de verdade.

Que nós reflitamos e dediquemos maior atenção a questões como estas. O motivo? Imagine o arco-íris e o parque cheio de árvores e pássaros que você pode ter em sua janela. E o cheiro do ar puro que você pode respirar. E toda a vida e convivência de qualidade que podem existir nestes espaços.

Não esqueçamos: “Saúde é viver Mais e MELHOR”.

*PS: um colega chamou a atenção que a foto tinha até um quê da bandeira de Pernambuco, o que eu não tinha notado.  Uma bandeira natural com um toque urbano.

Summary

In this panoramic view, a rare vision of two rainbows, one stronger than the other, at jaqueira park in Recife/PE, Brazil, in a rainy and sunny day.
It is the green fighting against the concrete, surviving willfully.
Green areas as these are rarer today, and we should fight not only to preserves them, but above all to enlarges them.
The concrete brutalizes, the green enriches and makes our lives worthwhile.