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Uma sucessão de desastres naturais recorrentes tem afligido a humanidade, inclusive nós brasileiros, mas parece que não estamos vendo claramente o que está ocorrendo com nossos semelhantes, nem percebendo com lucidez as conseqüências destes eventos importantes, que têm o potencial de mudar drasticamente as nossas próprias vidas, inclusive para muito pior, mesmo contra a nossa vontade e esforços, caso sejamos nós as vítimas. Afinal, somos muito pequenos para enfrentá-los sozinhos, e também coletivamente, se o fizermos de forma desorganizada.

Quando não somos vítimas, não sentimos tão facilmente o drama dos desabrigados. Há o ditado: o que os olhos não vêm, o coração não sente… Será? Vejamos o que os países em todo o mundo têm sentido com as enchentes, inundações, deslizamentos, furacões, terremotos, tsunamis, etc.

O terremoto seguido de tsunami no Japão ainda não virou lembrança, pois o drama continua naquele país, que luta para sobreviver à tragédia humanitária, econômica e agora os seus efeitos radioativos. Esta última uma contribuição da arrogante crença no controle da humanidade sobre as suas tecnologias supostamente mantida sob rédeas.

Mas vejamos o que também acontece mais perto de nós e dos nossos olhos, muito embora passe despercebido por quase todo mundo nestas bandas:

– Durante os últimos 30 anos há os seguintes registros decorrentes de desastres “naturais” para os países da América Latina e do Caribe:

a) Anualmente 5.000 vidas foram ceifadas;

b) As perdas médias anuais têm sido de US$3.200 milhões de dólares: destruição de habitações, prédios públicos, plantações e empreendimentos; desemprego; perda de arrecadação…;

– As perdas tendem a aumentar devido a:

a) Mudanças climáticas;

b) Processos de desenvolvimento que levam à destruição ambiental em áreas vulneráveis;

c) Rápido crescimento de áreas propensas a desastres (ocupações irregulares de morros e margens de rios e córregos, p.ex.).

– Os desastres naturais ocasionam:

a) Impacto negativo na qualidade de vida urbana e rural;

b) Reduzem o capital social e produtivo de um país;

c) Tendem a afetar mais acentuadamente os segmentos mais pobres da população;

d) Podem produzir impacto de longo prazo sobre o desenvolvimento dos países, pois geram impactos inesperados nas contas fiscais e também nas inversões privadas (vejamos o exemplo do Japão, após o terremoto, seguido de tsunami e acidente nuclear… Fábricas pararam e houve desabastecimento de produtos de alta tecnologia);

– É possível caracterizar o risco;

– É possível a gestão do risco;

– Os indicadores de risco permitem analisar a evolução da situação, comparar um país ou local em diferentes épocas;

– Os indicadores podem ser usados em âmbito local;

– Existem níveis de risco de desastres ambientais significativos nos países analisados da América Latina;

Aparentemente tais riscos não foram até então percebidos em sua verdadeira dimensão pelas pessoas, pelos tomadores de decisão, incluindo os governantes, e pela sociedade em geral;

– Um enfoque proativo de redução do risco, se adotado, pode gerar ganhos econômicos e sociais importantes;

– Podem ser adotadas medidas para reduzir as vulnerabilidades frente às ameaças naturais, as quais podem ser integradas aos programas de desenvolvimento e de reconstrução pós-desastre;

A defesa civil poderia usar ferramenta análoga àquela utilizada na saúde, baseada na mensuração e uso de indicadores de riscos. É aplicada na gestão de programas de saúde pública, inclusive no Brasil:

O primeiro passo é monitorar, mensurar e registrar a ocorrência de doenças na população em geral e nas localidades e pessoas em particular (vigilância). São elaborados planos municipais e estaduais de saúde, para fazer frente aos problemas diagnosticados, os quais guiarão a distribuição e gestão dos recursos públicos e a execução de diferentes programas de saúde, a exemplo do programa de saúde da família, agentes comunitários de saúde, vigilância ambiental, emergências SAMU, etc.

O referido sistema se retroalimenta e é continuamente aperfeiçoado, reduzindo os riscos para a população e favorecendo a solução dos problemas.

No caso dos desastres naturais, não basta desenvolver, registrar, analisar e monitorar indicadores de risco em defesa civil, instituir conselhos de defesa civil, realizar conferências de defesa civil, etc.

Isso porque o assunto requer ação muito bem planejada, coordenada e de ampla cooperação entre esferas governamentais e entre setores de uma mesma esfera governamental, incluindo meio ambiente, saúde, ação social, educação, agricultura e pecuária, reforma agrária, trabalho e emprego, Ministérios Públicos, instituições de pesquisa, etc., além da participação da sociedade civil, organizações não governamentais – incluindo todas aquelas que fornecem voluntários nos desastres naturais e muitos outros.

Só uma abordagem holística e integrada de problema tão complexo pode ser promissora. Sem um correto reconhecimento e definição dos problemas e de suas causas, tudo o mais que fizermos a partir daí tenderá a ser pouco efetivo ou até mesmo inócuo.

Então, lembremos do velho ditado: é melhor prevenir, do que remediar. Mas…

O antagonismo entre cura e prevenção dos males acompanha a humanidade há muito. É do tempo de Hipócrates o registro do antagonismo entre as duas filhas do deus Asclépio: Panacéia e Higéia.

“Panacéia preconizava a medicina curativa, prática terapêutica baseada em intervenções sobre indivíduos doentes, mediante manobras físicas, encantamentos, preces e uso de medicamentos, enquanto …

Higéia, defendia a saúde como resultante da harmonia entre os homens e ambientes, e buscava promovê-la por meio de ações preventivas”

(Fonte: http://www.culturabrasil.com.br/programas/radarcultura/limbo/conhecam-a-arte-de-gustav-klimt-na-pintura-de-higeia-reconhecam-a-sabedoria-higeiana).

Mas, retornando aos indicadores de riscos de desastres:

Podemos concluir, a partir dos estudos do BID e do Banco Asiático, dos quais são originárias as informações sobre indicadores e desastres ambientais no mundo, aqui apresentadas, e da própria observação dos acontecimentos, que

é possível monitorar e mensurar os riscos, os quais devem ser percebidos e reconhecidos como um problema socioeconômico e ambiental

(eu diria que isso é indispensável).

Conhecido o risco, é possível adotar medidas preventivas e práticas adequadas de planejamento e gestão, tanto públicas quanto privadas. Sem prejuízo da eventual adoção de medidas corretivas.

Tornamo-nos assim, discípulos de Higéia.

Prevenindo, minimizam-se os impactos socioeconômicos dos desastres, inclusive aqueles decorrentes das mudanças climáticas, tanto quanto possível com as medidas que estiverem ao nosso alcance.

Também, é bom lembrar que se trata de um caminho difícil, longo e que pode demorar décadas, o mesmo tempo que dedicamos à depredação do meio ambiente. É a velha história da “porta estreita”. Não são comuns as soluções fáceis para problemas difíceis e complexos.

Porém, em troca, ganharemos em milhares de vidas salvas anualmente e também na disponibilidade de valiosos recursos que, poupados do uso corretivo ou curativo dos efeitos dos desastres, podem ser utilizados nos processos de desenvolvimento e promoção do bem-estar social.

Evitamos, assim, a previsível e eterna reconstrução, à semelhança do mito de Sísifo, “condenado a repetir sempre a mesma tarefa de empurrar uma pedra de uma montanha até o topo, só para vê-la rolar para baixo novamente

O outro caminho é nos tornarmos seguidores de Panacéia. Aliás, esta tem sido a preferência da humanidade ao longo da história, e ainda parece ser a escolha preferida da maioria, até hoje.

Mas, atenção! Veja-se a situação das cidades e populações pernambucanas em estado de calamidade pública e situação de emergência, há menos de dois anos desde a última enchente de 2010:

Em 2011 as chuvas destruíram, novamente, aquilo que fora destruído também em 2010 (possivelmente o que também foi destruído em 2005, em 2000, e sabe-se lá em quantas outras enchentes do passado):

“Folha de Pernambuco Digital. Domingo, 15 de maio de 2011. Com as novas chuvas, a sensação de trabalho dobrado. O que se viu nas últimas semanas foi quase um espelho do que ocorreu no ano passado. Novamente, escolas paralisaram suas atividades, cidades perderam acessos, casas foram atingidas e as famílias ficaram desabrigadas. Sem previsão ou qualquer alerta, milhares de famílias foram pegas de surpresa. Assim como o Governo do Estado. Para quem não viveu mudanças, a situação foi ainda pior e alimentou o medo dos próximos invernos. (…) Com as obras iniciadas no final de junho de 2010, os municípios tiveram parte dos acessos restabelecidos através de intervenções emergenciais de recuperação de pontes, passagens molhadas e rodovias. Mas, após as chuvas de abril e maio deste ano, parte do que foi reconstruído chegou a ser novamente destruído.”

(Chuvas: trabalho dobrado na Mata Sul – http://www.folhape.com.br/index.php/noticias-geral/637606?task=view).

Em Barreiros e Palmares, por exemplo, muitas pontes ainda continuavam destruídas, há mais de um ano das enchentes de 2010. Passados mais de 12 meses, havia lugares em que a travessia das corredeiras dos rios era feita em pequenas e precárias embarcações, trazendo risco à segurança e à vida das pessoas. Sem falar que a vida de todos fica mais difícil. Simples tarefas consomem muito mais tempo do que o comum, a exemplo de ir e voltar da escola ou se deslocar até uma unidade de saúde, pois as estradas vicinais e pontes sofreram com o desastre ambiental.

Sem um enfoque preventivo, os desastres naturais, que aumentam cada vez mais em decorrência da ação negativa da humanidade sobre o meio ambiente, guardando estreita correlação com o consumo desenfreado – que é estimulado para termos um “desenvolvimento com crescimento econômico continuado”, tendem a ser um ralo gigante, a sugar eternamente os nossos recursos limitados.

Não é fácil a situação das vítimas, tampouco do Estado, cujos governantes  precisam correr para estancar os danos. Mas, nestes novos tempos, nem Panacéia pode dar jeito nesta situação.

Precisamos desenvolver uma consciência coletiva, de que nossos comportamentos condicionam em grande parte a destruição ambiental e aumentam os riscos de desastres daí decorrentes:

– Destruir as florestas e a mata ciliar aumenta o volume e a velocidade das águas nos rios e agravam as enxurradas e enchentes;

– Construir às margens dos rios e córregos provoca danos ambientais e expõe as pessoas ao risco das inundações e enxurradas;

– Extrair areia dos rios altera a dinâmica das águas e provoca assoreamento dos rios e barragens, agravando as enchentes e os danos por elas provocados nas cidades.

Estamos diante do exercício do nosso livre arbítrio. Podemos:

a) Mudar a história, adotando novos comportamentos no tocante ao consumo, ao convívio com o meio ambiente, à ocupação e uso do solo e mudando o atual modelo de desenvolvimento econômico, típico do capitalismo, que é evidentemente insustentável e já destruiu e comprometeu seriamente parcela significativa do meio ambiente planetário;

b) Ou aceitar a profecia autorrealizável de uma nova Ilha de Páscoa, agora em escala global (Saiba mais em: http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/atitude/conteudo_255142.shtml).

Que caminho você pretende seguir?

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O novo Código Florestal e os desastres ambientais: o que há em comum entre a monocultura, a cana-de-açúcar, a criação de bovinos, a pobreza, políticos corruptos, a destruição da mata ciliar e as enchentes, enxurradas e inundações?

Publicado: 20/05/2011 em Cidadania, Ecologia, Meio Ambiente, Saúde, Sustentabilidade
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O caderno Ciência e Meio Ambiente do Jornal do Commercio, domingo, 08 de maio de 2001, folha 5, trouxe a seguinte matéria:

“Mata ciliar é solução para as inundações”.

Fiquei muito animado com a notícia! No momento, o novo Código Florestal é discutido no Congresso Nacional, promovendo a tentativa de reduzir as áreas de preservação de florestas em margens de rios (mata ciliar), por grupos cujos principais interesses são egoístas e que ignoram as necessidades e sofrimentos coletivos, além do imperativo da preservação ambiental.

Ao mesmo tempo, vemos se multiplicarem os desastres ambientais, a exemplo das enchentes, enxurradas, inundações e deslizamentos de terra, em 2010 e 2011, atingindo Pernambuco, Alagoas, Região Serrana do Rio de Janeiro e outras regiões do Brasil, como as regiões Sul, Centro-Oeste e Norte, com mortes e grande número de pessoas desalojadas e desabrigadas. Muitas dessas pessoas estão desabrigadas desde desastres ocorridos anteriormente ao último registrado. E, não bastasse a tragédia humanitária e as perdas de vidas, os brasileiros em geral, toda a nação, têm de arcar com o incalculável custo de recuperação e reconstrução daquilo que foi destruído. É bom lembrar que as populações mais pobres são aquelas que geralmente sofrem as principais conseqüências dos desastres, aqui e em todo o mundo.

Os artífices do novo Código Florestal argumentam que não há “provas científicas” que justifiquem a manutenção da mata ciliar!

Me poupem, ilustres parlamentares!

Quando se trata de segurança e sobrevivência da humanidade, prevalece o princípio da segurança e torna-se desnecessário provar o óbvio, o ululante. Na dúvida, preserve!

Mas, ainda assim, o cientista ambiental André Alcântara, sob a orientação do pesquisador Ricardo Braga, com apoio da Sociedade Nordestina de Ecologia e com financiamento pelo Fundo Nacional do Meio Ambiente, provou para os céticos, inconseqüentes e egoístas que a mata ciliar precisa ser protegida:

“a vazão da água é bem maior em áreas cultivadas que em áreas florestadas”.

Mas o que isso significa? A tabela a seguir ilustra os resultados e alcance do estudo:

Local

Vazão

(l/s por km2)

Oxigênio dissolvido na água

Necessidade de tratamento da água para consumo

Estação 01 – Próximo da nascente: rio margeado por floresta Atlântica

24,7

Acima do necessário para a água ser considerada própria para consumo Necessita apenas cloração
Estação 02 – Rio cercado por agricultura de subsistência e mata em regeneração

62,6

Próximo do mínimo necessário para a água ser considerada própria para consumo Necessita de tratamento completo
Estação 03 – Margens ocupadas por pasto e canavial

177,6

Muito abaixo do mínimo necessário para a água ser considerada própria para consumo Necessita de tratamento completo

Ou seja:

“em áreas cultivadas, a vazão do rio é sete vezes maior que nas áreas florestadas”, pois onde havia pasto e cana a vazão chegou a 177,6 litros.

Traduzindo, em termos práticos, acrescento aqui uma pequena contribuição ao debate:

Quais são os municípios pernambucanos (e provavelmente também alagoanos) mais atingidos pelas enchentes em 2010 e 2011? Quais as suas principais formas de exploração e uso do solo, conforme dados de 2010?

Município

Situação de desastre ambiental em 2010 e 2011

Densidade demográfica (hab/km2)

Taxa de urbanização (%)

Renda per capita

Taxa de analfa-betismo

– 15 anos e mais (%)

Principal cultura -agrícola e pecuária

(maior valor da produção em R$ e maior efetivo dos rebanhos, respectivamente)

Água Preta Calamidade Pública 60,84 56,61 65,5 39,60 Cana-de-açúcar e bovinos
Barreiros Calamidade Pública 174,49 83,42 93,22 30,76 Cana-de-açúcar e bovinos
Catende Calamidade Pública 182,82 76,33 104,19 33,94 Cana-de-açúcar e bovinos
Cortês Calamidade Pública 122,94 63,45 74,18 36,09 Cana-de-açúcar e bovinos
Jaqueira Calamidade Pública 129,22 61,57 65,03 39,94 Cana-de-açúcar e bovinos
Maraial Calamidade Pública 62,46 70,03 60,57 42,77 Cana-de-açúcar e bovinos
Palmares Calamidade Pública 176,71 78,76 134,47 27,78 Cana-de-açúcar e bovinos
Primavera Calamidade Pública 122,24 63,84 84,88 32,67 Cana-de-açúcar e bovinos
Xexéu Calamidade Pública 127,18 65,04 64,99 43,94 Cana-de-açúcar e bovinos
Quer mais? Veja a tabela completa, ao final, incluindo municípios em situação de emergência.Dados: http://www.bde.pe.gov.br/ArquivosPerfilMunicipal

São justamente aqueles municípios que têm os tipos de agricultura e pecuária apontados como tendo maior vazão em decorrência das chuvas. Não bastasse a pesquisa sobre vazão menor em áreas com preservação de matas ciliares, realizada em Pernambuco, acrescentam-se os dados acima, que são óbvios, ululantes!

Erosão do solo pelas águas em plantio de cana-de-açúcar

Erosão do solo pelas águas em plantio de cana-de-açúcar

O que possuem em comum os municípios de Pernambuco, em estado de calamidade pública, em decorrência das enchentes em 2010 e 2011? (pode incluir também aqueles em situação de emergência)

a)      Cana-de-açúcar como principal cultura agrícola;

b)      Criação de bovinos em pastagens como principal atividade agropecuária;

c)       Geralmente possuem elevadas densidades populacionais (é provável que este seja um dos principais componentes dos graves desastres ambientais!);

d)      Geralmente possuem elevado percentual de urbanização;

e)      Geralmente possuem baixa renda “per capita”;

f)       Geralmente possuem elevados percentuais de analfabetismo entre jovens e adultos, ao qual podemos somar o analfabetismo funcional.

Todos esses fatores estão relacionados entre si e também com baixos IDH (índice de desenvolvimento humano), péssimos indicadores de saúde, elevado desemprego, grande violência e outras mazelas.

Neste contexto, é difícil esperar o exercício efetivo da cidadania. Ainda mais, esperar que essas pessoas pensem e lutem pelo meio ambiente, se não percebem que as suas condições de vida estão associadas a todos esses fatores. Suas crianças e jovens mal podem freqüentar as escolas, com estradas e pontes esburacadas, enlameadas ou interrompidas pelas sucessivas enchentes, além do ainda existente trabalho infantil.

É o alto preço cobrado devido à opção histórica pela monocultura, ocupação e exploração desordenada do solo e abandono educacional das pessoas!

Certamente que a cultura da cana-de-açúcar e a pecuária têm sua importâncias para as pessoas. E certamente que há municípios com cana-de-açúcar e bovinos como principais atividades agropecuárias e que não estão em estado de calamidade pública, e vice-versa. Mas as realidades de Pernambuco e Alagoas são sintomáticas.

Estudos “científicos” de associação de causa e efeito entre múltiplos fatores, tais como fatores ambientais, sociais, econômicos e culturais não são fáceis, tampouco estarão isentos de críticas quanto aos seus alcances e validades. Porém, deixo esta proposta para os pesquisadores em geral, para que realizem vários estudos científicos envolvendo essas temáticas, com grandes promessas de recompensa para a humanidade.

Finalmente, do que foi exposto até então, algumas soluções emergem como óbvias:

– É necessário preservar, recuperar e ampliar a mata ciliar e as florestas em geral. Precisamos de um NOVO Código Florestal que preserve e aumente as florestas, não precisamos de um pernicioso código florestal que proclame a sua dizimação e exploração irracional. Mas, acima de tudo, precisamos desenvolver uma consciência coletiva de respeito ao meio ambiente e à coletividade, que vá além do dever ser das leis, que faça acontecer. Afinal, de “boas” leis o Brasil está cheio. Faltam os bons costumes;

– É necessário educar as pessoas, libertando-as dos grilhões que as prendem à exploração política e à miséria. Educação e cidadania têm de sair dos discursos vazios e mentirosos de candidatos irresponsáveis e despreparados, tornando-se resultados concretos por intermédio de administradores públicos profissionais, competentes e comprometidos com a coletividade;

– É necessário diversificar as culturas agrícolas e pecuárias, explorando-as de forma respeitosa à preservação do meio ambiente e recursos naturais, assim como adequada às necessidades das pessoas, de suas famílias e de suas coletividades;

– É necessário fixar os homens e suas famílias no campo, provendo terra e condições adequadas para a produção agropecuária sustentável. Enquanto consumidores, deveríamos assumir compromisso de compra junto aos agricultores familiares, que teriam a certeza de continuidade de suas atividades, permanecendo no campo. Enquanto governo, aplica-se o mesmo. Aliás, isto já é feito pelo Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar (PAA), que em Pernambuco, atualmente, adquire da agricultura familiar e distribui com as famílias atingidas pelos desastres;

– É necessário reduzir a urbanização e os grandes adensamentos populacionais. Devemos falar em interiorização das populações, mas também creio que devemos perder o medo de falar em controle de natalidade e sobre o controle do crescimento populacional!

Pois aí estão as causas dos desastres naturais, da pobreza e dos principais flagelos da humanidade, incluindo a fome, a falta de abrigo salubre, as doenças, a violência e a miséria. Não é assim que queremos viver a humanidade!

(mais…)

A revista Correio Filatélico – COFI (Ano XXXIII, nº 219, outubro a dezembro de 2010) publicou como sua matéria principal a emissão de quatro selos sobre estes animais da ordem Chiroptera, os quais são encontrados em todo o mundo, exceto nas regiões polares.

Existem morcegos cujos pesos variam entre 3g e 1,5kg. Suas dietas são bastante variadas, incluindo vegetais, animais e o sangue, no caso das poucas espécies de morcegos hematófagos existentes.

O artigo menciona a existência de mitos, lendas e crendices ligando os morcegos ao mal, criando um ambiente de horror, mistério e medo quanto à sua presença. Por isso, houve caça e destruição indiscriminada de morcegos. Mas é exatamente o oposto o que se pretende mostrar. Além disso, este não é o único mito prejudicial aos animais e ao meio ambiente. Citamos o exemplo dos tubarões, muitas vezes perseguidos e caçados por serem considerados “inimigos” dos seres humanos.

Os morcegos são úteis à agricultura, por combaterem as pragas, pois sabe-se que 70% das espécies de morcegos se alimentam de insetos. Já os morcegos frugívoros ajudam a dispersar as sementes de vegetais que irão garantir a preservação de inúmeras espécies. Sem falar que estes animais são um elo indispensável na cadeia alimentar: sem eles, todas as outras espécies correrão sérios riscos. Além disso, os morcegos são muito úteis às pesquisas médicas, cujos resultados beneficiarão a espécie humana.

Enfim, os morcegos são essenciais ao equilíbrio ambiental!

Mas as atividades humanas e a destruição do meio ambiente ameaçam os morcegos e todos nós: o desmatamento com o avanço das fronteiras agrícolas reduzem ou eliminam o abrigo e alimento dos morcegos e a exploração de minérios destrói seus abrigos, incluindo as cavernas.

É um alerta para refletirmos sobre como e com que intensidade exploramos os recursos naturais.

E é por tudo isso que não só o Brasil, mas também outros países emitiram selos sobre morcegos, dentro de uma política com o objetivo de esclarecer a importância dessas espécies animais e contribuir para a conservação dos recursos naturais. E, conseqüentemente, ajudar a preservar o meio ambiente.

Parabéns aos Correios, aos artistas plásticos e aos filatelistas, todos unidos à causa da preservação ambiental!

Veja também:

Correio lança selo “morcegos”

Selos retratam espécies brasileiras de morcegos

Mal os habitantes da nossa nave Terra principiaram a internalização do grave terremoto seguido de tsunami no Japão em 2011, que ceifou milhares de vidas e causou grandiosos prejuízos econômicos ao país, de difícil mensuração e que certamente produzirá importante impacto global, começaram os protestos contra o uso de energia nuclear, notadamente na Europa, continente que concentra a maioria das usinas nucleares de todo o mundo. Emerge mais uma vez o temor do risco provocado por este tipo de energia, ainda que usada para fins pacíficos, qual seja, a produção de energia elétrica.

Discutia com um colega sobre o assunto e este ponderou que a energia nuclear era uma boa energia. Perguntei se ele ignorava os riscos desse tipo de energia: respondeu que não, mas que ela era importante para todos nós. Perguntei então se menos usinas nucleares representariam menos riscos para a humanidade: respondeu que sim. Em seguida, emendei: se reduzíssemos o nosso consumo, não seriam necessárias menos usinas nucleares?

O meu colega concordou que sim, embora reclamando que não precisaríamos voltar à idade da pedra. Creio que não, respondi, pois não precisamos necessariamente abdicar de todo o conforto que nós conquistamos com o processo civilizatório, especialmente aqueles realmente essenciais. Porém, insatisfeito, apontei para o elevador que esperávamos há algum tempo no 11º andar, gastando parte do nosso precioso bem que é o tempo. E ele próprio imediatamente lembrou, sem que eu usasse qualquer palavra, do absurdo que era pessoas jovens e saudáveis tomarem o elevador para subirem ou descerem do segundo ou do primeiro andar ao térreo e vice-versa, como observávamos corriqueiramente naquele edifício no qual trabalhamos, provocando atrasos no sobe e desce diário de toda a coletividade, tamanho o abuso das chamadas, retenções e do entra e sai dos elevadores. Freqüentemente havia quem tomasse o elevador no segundo andar, subisse ao 11º andar, para então se dirigir ao térreo.

Eis então a questão: não precisamos estar de acordo sobre os benefícios ou malefícios da energia nuclear ou de qualquer outra forma de energia, tampouco precisamos ter pensamentos iguais sobre padrões de consumo e desenvolvimento econômico.

Porém, o consumo irracional, exagerado e o desperdício de recursos é desnecessário e fomenta a destruição de recursos naturais, o que direta ou indiretamente induz o aumento do risco à saúde pública e ao meio ambiente.

Explica-se: o consumo, especialmente o desnecessário, pressuposto do crescimento econômico continuado, conduz ao aumento da destruição de áreas naturais, que serão destinadas à produção de mais energia, e também ao uso de energias perigosas, nocivas ao meio ambiente, potencialmente causadoras de mudanças climáticas ou que ao menos exigem a destruição ou modificações radicais do ambiente natural. São exemplos a energia nuclear, com o temor permanente de vazamentos radioativos; o uso e descarte irresponsável de baterias que contaminam o meio ambiente com metais pesados; ou a energia hidroelétrica que requer a inundação de milhares de hectares de nossas florestas, com sérios impactos ambientais e muitas vezes também sociais.

Precisamos de energia? Certamente que sim. Mas não precisamos de qualquer forma de desperdício.

Ainda que não cheguemos a um consenso sobre uma energia ser boa ou ruim, devemos convir que consumismo e desperdício induzem degradação ambiental, provocam direta ou indiretamente o aumento dos riscos à saúde pública e ao meio ambiente e podem mesmo contribuir para as mudanças climáticas, aumentando os riscos de desastres naturais ligados ao aquecimento global. Como falado em tópico anterior, tudo e todos estamos ligados neste planeta.

Logo, se queremos fazer algo pelo nosso bem-estar e sobrevivência nesta Terra, saibamos que não é possível escolher responsavelmente que tipo de energia teremos, se boa ou má para nós ou para o meio ambiente, enquanto não tivermos consciência de que nós somos os responsáveis, direta ou indiretamente, quer tenhamos consciência disto ou não, pelas decisões dos governos e empresas no tocante à implantação de usinas nucleares, térmicas ou hidroelétricas, cada uma causadora de diferentes tipos de riscos e problemas, por maior que sejam o conforto, ainda que aparente, que elas nos proporcionem.

Não é possível reduzir o número de usinas nucleares ou qualquer outro tipo de usina, para diminuir os riscos e prejuízos para a saúde das pessoas e para o meio ambiente, sem começar pela decisão de mudar os padrões de consumo. Não se trata de ideologia ou de um problema do povo japonês, ou chinês ou de qualquer outra localidade. É um problema seu, meu e de cada um de nós que habitamos este Planeta Terra. Pois a sustentabilidade é incompatível com o supérfluo.

No dia do consumidor, pense nisto e comece a agir, para que usemos apenas o necessário para o nosso dia-a-dia.

As novas gerações assistem online uma sucessão de desastres naturais ou de natureza mista (aqueles cujas causas contribuintes também incluem a atividade humana) que muitos de nós não testemunhamos no passado. Aparentemente não apenas devido às novas tecnologias que permitem a transmissão de cenas assustadoras em tempo real, onde quer que estejam acontecendo no planeta, mas possivelmente porque tais mega-desastres parecem ter sido registrados com maior freqüência nos anos recentes.

Deve haver um montão de teorias e discussões sobre o assunto, mas o propósito do presente escrito é mais o de discutir as possíveis conseqüências gerais destes desastres e alertar que devemos agir e nos preparar para enfrentar o pior, ainda que ele não nos ocorra.

Miremos o exemplo japonês e perguntemos: qual seria o impacto de um terremoto seguido de tsunami, como ocorreu agora em 11/03/2011 no Japão, ou de desastre similar, em nosso Brasil ou na América Latina?

Há indicadores que demonstram que se um desastre natural pode causar efeitos sérios em um país, seus efeitos equivalentes poderiam ser devastadores em um outro, pois diferentes localidades possuem diferentes vulnerabilidades e capacidades de lidar com as catástrofes, incluindo a prevenção, o seu enfrentamento e a recuperação subseqüente.

O BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento considera que o “Risco de desastres naturais continua alto na América Latina e Caribe” e adota indicadores de riscos de desastres naturais para medir tal risco: “(…) se o Peru fosse atingido hoje por um terremoto similar ao que atingiu o Chile mais no início deste ano, poderia sofrer perdas econômicas de até US$ 15,8 bilhões. Um evento semelhante poderia causar perdas de até US$ 5,2 bilhões no México, US$ 3,8 bilhões na Colômbia e US$ 3,5 bilhões no Equador”.

A mensuração dos fenômenos é o primeiro passo para compreendê-los e para lidar melhor com eles. Uma das principais lições que podemos tirar dos citados índices, além do alerta para a necessidade de prevenção e preparação para desastres, é de que tais desastres podem provocar prejuízos em perdas humanas, sociais e econômicas que muitos países não são capazes de enfrentar. Logo, a menos que contem com generosa e ampla ajuda externa, nunca poderão se recuperar. E como vivemos na era global, os efeitos acabam sentidos por todos, de uma maneira ou de outra, mais cedo ou mais tarde.

Um destes indicadores é o Índice de Déficit por Desastres (IDD), que “compara as perdas econômicas potenciais que um país pode sofrer e a capacidade financeira do governo para lidar com esses custos“. Há países da América Latina que possuem este índice com valor superior a um, indicando que as perdas potenciais são maiores que as respectivas capacidades de recuperação.

Lembramos do caso do terremoto do Haiti em 2010, país cuja miséria se agravou sobremaneira após o desastre e parece continuar na mesma situação, especialmente devido a haver pouco interesse econômico em transferir rios de dinheiro para recuperação daquele pobre território.

Há também o Índice de Desastres Locais (IDL), que “avalia os riscos sociais e ambientais derivados de desastres recorrentes de pequena escala, analisando o número de mortes, o número de pessoas afetadas e os danos a casas e plantações“. Estes chamam pouca atenção, especialmente da mídia, mas tendem a ocorrer repetidamente e os seus efeitos cumulativos dificultam o desenvolvimento econômico e social local e podem contribuir para criar a pobreza endêmica. Creio que podemos citar como exemplo o que ocorre nas regiões semi-áridas do Nordeste do Brasil, devido às secas endêmicas.

Um terceiro índice usado pelo BID é O Índice de Vulnerabilidade Prevalente (IVP), que “mede as condições de vulnerabilidade predominantes de um país avaliando a exposição da atividade humana e econômica em áreas sujeitas a desastres, bem como a capacidade de absorver os impactos de desastres. Os três indicadores que formam este índice composto consideram fatores como crescimento demográfico, densidade populacional, níveis de pobreza e desemprego, degradação do solo causada por ação humana, proporção dos gêneros, gastos sociais e seguros de infra-estrutura e moradia”.

Partindo do conceito do IVP, não é difícil entender a grande vulnerabilidade dos países da América Latina, incluindo regiões do Brasil, onde coexistem elevadas densidades populacionais, concentração maciça das populações em grandes centros urbanos que possuem precária infra-estrutura, pobreza, desemprego e ocupação irregular de morros ou áreas sujeitas a inundação, esta última uma busca desesperada por solução para moradia, proximidade do emprego e expectativa de vida digna. É aí que se constrói o cenário dos mega-desastres e os mais desfavorecidos são também os mais vulneráveis, quase sempre.

Finalmente, vejamos o que o BID registra sobre um quarto índice: “O Índice de Gestão de Riscos (IGR) combina várias medidas para avaliar a capacidade de um país identificar e reduzir os riscos, responder a catástrofes e recuperar-se delas e oferecer proteção financeira e transferência de risco. Todos os países analisados pelo índice apresentam níveis insatisfatórios de gestão de riscos de desastres”. Registro que o Brasil não foi avaliado.

A esta altura você já deve estar perguntando: e daí? O que é que eu tenho a ver com isto?

Eu diria que tudo, pois embora pouco provável que ocorram no Brasil terremotos ou tsunamis como os da Indonésia, Haiti, Chile e Japão, as enchentes das regiões Nordeste, Sudeste, Sul, Norte ou Centro-Oeste podem afetar qualquer um de nós. E também estamos sujeitos a outros tipos de catástrofes. Para quem procura exercer a empatia, é possível imaginar o sofrimento e desgraça que se abatem sobre as pessoas vítimas das emergências e calamidades públicas. Para quem tem maior dificuldade em sentir a desgraça alheia, há outros argumentos.

Além da solidariedade requerida de todos nós cidadãos para com os povos atingidos (num futuro post falarei sobre a importância do voluntariado nas calamidades públicas), precisamos nos preparar para enfrentar os desastres naturais. Como vimos, quanto mais bem preparados estivermos, menores serão os prejuízos, mais rápida a recuperação e maior a chance de rápido retorno à normalidade. O outro caminho seria pagar para ver, correndo o risco de nunca mais nos recuperarmos, ou coisa muito pior.

Por vezes pensamos que estamos totalmente seguros e que nossas vidas jamais sairão dos trilhos em que se encontram. Torço que seja assim para cada um de nós.

Mas nem sempre é assim. Veja abaixo a “vida fora dos trilhos e de pernas para o ar” em Branquinha, Alagoas, em decorrência das enchentes em junho de 2010: um tsunami de água doce varreu boa parte da cidade.

Proponho as seguintes reflexões:

Você acha que estamos preparados para enfrentar desastres naturais, quem sabe mesmo uma nova era de desastres decorrentes do aquecimento global?

Você se vê enfrentando um grande desastre natural, como este que ocorreu no Haiti em 2010 ou no Japão em 2011?

Você se vê, de uma hora para a outra, perdendo tudo o que tem?

Você se vê, de uma hora para a outra, dependendo da solidariedade alheia?

O que é que você, eu e nós todos temos a ver com isso?

No nosso mundo, todos estamos ligados, numa teia bem elaborada e intricada, onde as relações de causa e efeito são inexoráveis. Há algo denominado “Efeito Borboleta (The Butterfly Effect)”:

É um termo que se refere às condições iniciais dentro da teoria do caos. Segundo a cultura popular, (…), “o bater de asas de uma simples borboleta poderia influenciar o curso natural das coisas e, assim, talvez, provocar um tufão do outro lado do mundo”. Certamente que é uma metáfora.

Não ouso afirmar categoricamente que a nossa opção pelo consumo quase sem freios, que a exploração desmedida dos recursos naturais do planeta em busca do crescimento econômico “sustentável” e que a destruição das florestas e hábitat em todo o planeta são a única causa das mudanças climáticas que ora testemunhamos. Muito menos acharia razoável afirmar que tais comportamentos sejam a causa dos terremotos e tsunamis que atingiram o Japão em 2011, causando tantas mortes e destruição. Mas dizem que este desastre mudou o eixo da Terra e, quem sabe, pode mudar nossas vidas. Não importam tanto as causas, mas o problema também nos diz respeito.

Por outro lado, ouso acreditar que tudo e todos estão interligados neste mundo. Sabe aquela idéia do filme Avatar? Pois bem, quem sabe nosso planeta não seja muito mais que um substrato sólido de matéria inerte, apenas um suporte conveniente para a nossa fugaz existência? E quem sabe o nosso Planeta Terra estaria tentando demonstrar algo para nós?

Opino que é melhor que estejamos preparados. Hoje, não basta ser sustentável, o que para muitos já seria um sonho, como é o meu caso.

Enquanto sociedade nos preparemos para promover a paz – para não enfrentarmos os efeitos da guerra e da anomia;

Trabalhemos para erradicar a fome – para que os famintos não destruam o meio ambiente em busca de sustento ou riquezas;

Promovamos políticas públicas para que não exista uma só pessoa sem teto ou sem terra – para que os desabrigados e desprovidos de meios de sustento não desmatem, nem invadam e construam em encostas, ou nos leitos de rios, ou nos mangues – pois ou ficaremos sem as árvores e sem as nascentes e a sua preciosa água potável, e as enchentes e avalanches de lama trarão conseqüências irreparáveis para cada um de nós.

Josué de Castro dizia: “Metade da humanidade não dorme porque tem fome e a outra metade não dorme porque tem medo dos que têm fome”. Pois acredito que tudo e todos estão interligados neste mundo: não viveremos seguros, nem em paz, nem saciados, nem tranqüilos, nem saudáveis, enquanto destruirmos o planeta, enquanto houver injustiçados, enquanto houver famintos, enquanto houver doentes, enquanto houver desabrigados, em qualquer lugar.

Se ainda não o fizemos, mudemos a nossa atitude em relação ao planeta e também em relação ao próximo.

Adotemos um novo comportamento enquanto consumidores, pensando na preservação do nosso meio ambiente;

Tomemos iniciativas para prevenção e enfrentamento dos desastres naturais, bem como de ajuda para todos aqueles que estão sofrendo os devastadores efeitos dos mesmos, pois gostaríamos que assim fosse feito por nós;

Pois estamos vivendo uma nova era, em que a consciência ambiental, a responsabilidade social, a empatia e a solidariedade serão fundamentais para a nossa própria sobrevivência.



Nesta foto panorâmica que postei no Flickr, temos uma rara visão de dois arco-íris sobre o Parque da Jaqueira em Recife/PE, num dia de chuva e sol. Algumas gotas pingaram sobre a minha objetiva, mas foi por uma boa causa.

*Parece a bandeira de Pernambuco? Imortal na imagem e em nossas mentes, fugaz como o tempo.

Da minha Janela, arco-íris (From my Window, the rainbow)
(Clique na foto para conhecer minha galeria de fotos no Flickr)

É o verde lutando contra o concreto, sobrevivendo teimosamente. É ele quem possibilita tais fenômenos. No passado, ouvíamos mais trovões em Recife e Olinda, as chuvas eram mais regulares, a vida se multiplicava tremendamente com as chuvas, por todas as partes. A vida era mais saudável sob diversos aspectos, afirmação que não ignora os avanços decorrentes do progresso científico e tecnológico, nem o aumento da esperança de vida (veja abaixo o conceito de saúde).

Áreas verdes como estas são cada dia mais raras, e devemos lutar não só para preservá-las, mas sobretudo para ampliá-las. O concreto embrutece, o verde enriquece e faz nossas vidas valerem mais a pena.

Já morei no Rio de Janeiro e em São Paulo. E Recife está ficando (ou já ficou) com os mesmos problemas dessas grandes cidades: violência, estresse, um ambiente desfavorável à vida saudável. E saúde, como me ensinou um sanitarista, é “Viver Mais e Melhor”. Não basta “Viver Mais”. Tem que ser Melhor, também. E é difícil conseguir isso com todos os problemas e todas as preocupações que a cidade grande traz. Basta experimentar uma viagem por lugares naturais como praia ou campo, e ver como retornamos revigorados. Quanta diferença com a vida puramente urbana.

Cada vez nos distanciamos mais de nossas origens naturais. Passamos a considerar naturais os adensamentos populacionais patológicos e toleramos o ambiente feio, cheio de fios, de outdoors, de pedras, com poluição do ar e das águas, com poluição luminosa… Já não se vê nos céus das grandes cidades o que as pessoas de interiores mais distantes ainda vêem: galáxias, nebulosas, muitas vezes a olho nu. Poluição sonora… estresse, irritação… E não entendemos o motivo das pessoas se tornarem cada vez mais irritadas, frias, desconfiadas, intolerantes. É um ambiente inóspito, impróprio para a expressão de muitas das melhores qualidades dos seres humanos.

E a foto escolhida nos lembra que a cidade pode ser mais bonita, mais natural. Em Recife, felizmente, o atual prefeito decidiu reservar uma nova área que seria destinada à construção de um centro comercial para ser um parque natural, no caso, o Parque da Tamarineira, mais verde para o recifense!

Polêmicas à parte, relativas às possíveis vantagens de um centro de compras (sempre o consumo!), sobre mais renda, mais emprego, mais riqueza… Nenhum modelo de desenvolvimento que pressupõe a necessidade de crescimento continuado como condição para o bem-estar social e desenvolvimento humano é sustentável. Além de ser perverso e auto-destrutivo.

O nosso ambiente tem uma capacidade de suporte limitada (capacidade de suporte é um conceito bem conhecido da Biologia Populacional: é quanto o ambiente pode sustentar em quantitativo de certa população. Próximo e acima deste limite surgem ou se tornam mais frequentes certas patologias que afetam severamente as populações. Há doenças que só persistem com elevadas densidades populacionais. As consequências são doenças, custos impagáveis, mortes. Ninguém pense que cenas como a da peste na idade média não podem voltar a ocorrer. Basta uma guerra ou uma catástrofe natural. E isto ocorre sempre, mais dia, menos dia.

É típico dos países subdesenvolvidos concentrarem a maior parte de suas populações em grandes cidades. Por isso, na minha opinião, parabéns ao Prefeito João da Costa pela corajosa decisão de não seguir os interesses exclusivamente econômicos ou quaisquer outros, que não a saúde das pessoas e do ambiente.

Não é exagero a fábula do filme “Onde está Wall-E?”. Os seres humanos expulsos do próprio planeta por eles envenenado, vagando por séculos numa espaçonave, até que um dia a vida volta a ser possível naquele lugar. Começar tudo outra vez. Quem sabe seguindo outro modelo de civilização. O preço foi alto, embora já não mais lembrassem o que era a vida como fora concebida pela natureza, tão acostumados estavam com o exílio no espaço. Mal podiam sustentar seus corpos obesos com esqueletos atrofiados, dada a falta de atividade física. Nem sabiam mais o que era interação social, com outro ser humano de verdade.

Que nós reflitamos e dediquemos maior atenção a questões como estas. O motivo? Imagine o arco-íris e o parque cheio de árvores e pássaros que você pode ter em sua janela. E o cheiro do ar puro que você pode respirar. E toda a vida e convivência de qualidade que podem existir nestes espaços.

Não esqueçamos: “Saúde é viver Mais e MELHOR”.

*PS: um colega chamou a atenção que a foto tinha até um quê da bandeira de Pernambuco, o que eu não tinha notado.  Uma bandeira natural com um toque urbano.

Summary

In this panoramic view, a rare vision of two rainbows, one stronger than the other, at jaqueira park in Recife/PE, Brazil, in a rainy and sunny day.
It is the green fighting against the concrete, surviving willfully.
Green areas as these are rarer today, and we should fight not only to preserves them, but above all to enlarges them.
The concrete brutalizes, the green enriches and makes our lives worthwhile.