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Ao saber quanta água é consumida* para produzir um hambúrguer, ou um par de sapatos, ou uma xícara de café ou diversas outras coisas, percebi quantas coisas podemos fazer diferente, contribuindo para o uso racional dos recursos naturais, para a preservação do meio ambiente e em favor do bem-estar da nossa própria espécie.

São Francisco de Assis acreditava que a riqueza desperta a cobiça: ele dizia, já naquela época (séc. XII e XIII), que o apego aos bens materiais afastava a sociedade de Deus. Ele foi considerado um lunático pelo próprio pai. E tantos outros líderes que pensavam muito além dos seus tempos também o foram, incluindo Jesus.

Hoje, a ânsia desenfreada pelo consumo afasta as pessoas de suas próprias humanidades e da comunhão com o seu  meio ambiente.

Gravura de São Francisco de Assis

São Francisco de Assis, do site http://blog.cancaonova.com

O que podemos fazer, então?

A título de exemplo, considerando que a água potável é o nosso bem mais precioso e escasso em todo o planeta, poderíamos economizar:

a) 15.500 Litros de água, comendo 1kg de carne bovina a menos, substituindo uma porção desta por outra fonte protéica, com menor pegada ecológica;

b) 8.000 Litros de água, usando nossos sapatos por mais tempo, adiando a compra de um par de sapatos novos ou, ainda, doando sapatos que não usamos para quem precisa;

c) 2.400 Litros de água, reduzindo um hambúrguer de nosso consumo em fast-foods;

d) 518 Litros de água, trocando o suco de laranja industrializado pelo suco de laranja natural, feito em casa;

e) 140 Litros de água, tomando um cafezinho a menos;

f) 35 Litros de água, deixando de tomar 1/2 litro de Coca-Cola, substituída com vantagens por água pura (sem falar na economia da garrafa PET, que vai deixar de poluir o ambiente).

(As referências são da Revista Veja, edição especial 2010, baseada em Hans Schreier, Les Lavkulich and Sandra Brown / Water footprint Network / FAO / UNESCO)

O vídeo abaixo ilustra muito bem o que estamos falando (da série Consciente Coletivo do Instituto Akatu, HP e Futura):

Tudo o que nós consumimos e tudo aquilo que fazemos consome água e outros recursos naturais, em maior ou em menor medida. Percebemos que é fácil darmos a nossa contribuição para a sustentabilidade ambiental, por menor que essa possa parecer.

Em post anterior comentei sobre “pegada ecológica” (Veja aqui o tamanho da sua Pegada Ecológica!).

Será que consumimos pensando no meio ambiente, consumimos apenas o suficiente, apenas o que nos basta para o dia-a-dia?

– Como utilizamos a água? Re-aproveitamos a água? Deixamos a mangueira ligada um tempão no jardim, ou lavando a calçada, ou o carro? Durante o banho, fechamos a torneira quando nos ensaboamos?

– Deixamos luzes e equipamentos ligados em vários cômodos, ou procuramos poupar energia?

Procuramos maximizar as caminhadas, usamos transporte coletivo, andamos de bicicleta, damos carona ou usamos o carro sozinhos, em todas as ocasiões?

– E quanto a presentes, objetos diversos e compras de R$1,99?

Pois bem, considerando o perfil da sociedade ocidental dos dias de hoje, com a nossa pegada ecológica atual, não dá para continuar.

Lais Mourão Sá (A desordem criadora: crise ambiental e educação), cita David Orr (1992):

A crise de sustentabilidade socioeconômica e ecológica que afeta gravemente a modernidade pode ser interpretada também como uma crise psíquica e espiritual. Esta crise de sustentabilidade teria suas raízes na perda dos vínculos éticos que protegiam e regulavam as relações de domínio sobre a natureza, e que foram parte da experiência de nossa espécie, nas sociedades que antecederam o atual modelo civilizatório. Assim, pode-se dizer que a crise atual é fruto de condições patológicas da consciência humana, que anularam a força instintiva de sobrevivência coletiva da espécie, levando-a a destruir as próprias condições ecológicas que sustentam a sua existência no planeta “.

(Ambiente e Educação, Rio Grande, 9: 69-84, 2004)

Com esta reflexão eu concluo, fazendo um apelo para que todos adotemos as melhores práticas ao alcance de cada um, para que nós enfrentemos com determinação e consistência a nossa crise ambiental, que também é espiritual. Não se pede que nos despojemos de todos os bens materiais, como São Francisco de Assis. Mas podemos nos limitar a consumir apenas aquilo que basta para o dia-a-dia de uma vida saudável.

Na dúvida, antes de decidir pelo consumo, façamos a seguinte pergunta:

O que pretendo consumir é apenas o suficiente, apenas o que me basta para o dia-a-dia?

Nossa decisão tenderá a ser consciente e poderá mostrar o caminho da sustentabilidade.

* Pegada ecológica de água (Water footprint): volume total de água que é usado para produzir alimentos e serviços consumidos pelas pessoas, pelo setor produtivo ou por uma nação.

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Hoje fiquei feliz ao receber uma edição especial da revista Veja, inteirinha sobre Sustentabilidade. Apenas comecei a ler.
Embora preocupantes algumas revelações sobre a (In)sustentabilidade do planeta Terra, dados os padrões de consumo atuais, penso que os 1,2 milhões de exemplares da revista, lidos por formadores de opinião que usualmente não estão em contato direto com a temática, poderão produzir um importante impacto positivo sobre os debates a respeito do tema.

Não que devamos adotar sem ressalvas as opiniões expressadas pois, à primeira vista, alguns pressupostos parecem um tanto otimistas, distantes da realidade.

Isto exigiria consciência e comportamentos hoje inexistentes, para a maioria das pessoas em todo o mundo, mesmo entre as pessoas com elevada escolaridade. Além do mais, seria necessário que outros não crescessem como nós (Veja o artigo: Crescimento sustentável? Não, obrigado.).
Além de decisões de investimento contrárias às práticas globais de indústria e comércio, quando via de regra se adota a solução mais econômica e não aquela que, embora mais cara, é melhor para o meio ambiente.

Algumas revelações do primeiro artigo, assinado por José Eustáquio Diniz Alves, doutor em demografia da Escola Nacional de Ciências Estatísticas, Ence/IBGE:
1) a Terra tem 7 bilhões de habitantes em 2010, possui 13 bilhões de giga-hectares produtivos, sua população ostenta um consumo que iria requerer um planeta com 18 bilhões de gha, de modo a não comprometer o ambiente nem as necessidades das gerações futuras;
2) Ou seja, já extrapolamos a capacidade de regeneração do planeta!
3) No padrão de consumo europeu e norte-americano, o planeta Terra é ainda mais insustentável. Este é aproximadamente cinco vezes maior do que o consumo dos africanos, numa unidade que ele chama de “pegadas ecológicas” (Veja aqui o tamanho da sua Pegada Ecológica!);
4) Até 2050 a Terra terá até 10bi de habitantes e o PIB deve crescer 3,5% ao ano. Logo, o consumo aumentará.

Pergunta-se, então: O que será do Planeta?

Segundo a matéria da Revista Veja, para retornarmos à sustentabilidade do Planeta existente em 1976, teríamos de reduzir o consumo em 33%, nos próximos 20 anos.
Isso exigiria não só uma revolução tecnológica, para aumento de produção e produtividade, sem comprometer ainda mais recursos. Exigiria uma verdadeira revolução comportamental, no tocante ao uso dos recursos, interações com o ambiente e, principalmente, quanto aos hábitos de consumo.
Será que o povo topa?
Eu penso que a tecnologia pode até multiplicar a produção, sem aumentar a área explorada. O problema é convencer as pessoas a não se multiplicarem!
Se aqui no Brasil ainda temos cerca de 50% de analfabetismo funcional, imaginem em países mais pobres! Não é nada fácil conseguir tal revolução em um mundo como este. Penso que dias difíceis virão. Quanto antes arregaçarmos as mangas, melhores serão as nossas chances.
E que os temas preservação e sustentabilidade entrem definitivamente no debate global.
Edição Especial sobre Sustentabilidade da Revista Veja

Veja uma discussão detalhada sobre matéria da edição em:

O Crescimento econômico brasileiro em ritmo chinês é compatível com a preservação ambiental?

“O especial, que usará papel 100% certificado, traz uma novidade: será totalmente impresso em tinta à base de óleo vegetal. Trazendo em seu cardápio editorial temas como as empresas que ganham dinheiro trabalhando de forma sustentável, fontes de energia alternativas, artigos de líderes internacionais, pontos abordados na COP – Conferência das Nações Unidas, dentre outros. VEJA Sustentável terá distribuição gratuita para assinantes e venda em bancas, livrarias, revistarias e redes de supermercados.”