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A revista Correio Filatélico – COFI (Ano XXXIII, nº 219, outubro a dezembro de 2010) publicou como sua matéria principal a emissão de quatro selos sobre estes animais da ordem Chiroptera, os quais são encontrados em todo o mundo, exceto nas regiões polares.

Existem morcegos cujos pesos variam entre 3g e 1,5kg. Suas dietas são bastante variadas, incluindo vegetais, animais e o sangue, no caso das poucas espécies de morcegos hematófagos existentes.

O artigo menciona a existência de mitos, lendas e crendices ligando os morcegos ao mal, criando um ambiente de horror, mistério e medo quanto à sua presença. Por isso, houve caça e destruição indiscriminada de morcegos. Mas é exatamente o oposto o que se pretende mostrar. Além disso, este não é o único mito prejudicial aos animais e ao meio ambiente. Citamos o exemplo dos tubarões, muitas vezes perseguidos e caçados por serem considerados “inimigos” dos seres humanos.

Os morcegos são úteis à agricultura, por combaterem as pragas, pois sabe-se que 70% das espécies de morcegos se alimentam de insetos. Já os morcegos frugívoros ajudam a dispersar as sementes de vegetais que irão garantir a preservação de inúmeras espécies. Sem falar que estes animais são um elo indispensável na cadeia alimentar: sem eles, todas as outras espécies correrão sérios riscos. Além disso, os morcegos são muito úteis às pesquisas médicas, cujos resultados beneficiarão a espécie humana.

Enfim, os morcegos são essenciais ao equilíbrio ambiental!

Mas as atividades humanas e a destruição do meio ambiente ameaçam os morcegos e todos nós: o desmatamento com o avanço das fronteiras agrícolas reduzem ou eliminam o abrigo e alimento dos morcegos e a exploração de minérios destrói seus abrigos, incluindo as cavernas.

É um alerta para refletirmos sobre como e com que intensidade exploramos os recursos naturais.

E é por tudo isso que não só o Brasil, mas também outros países emitiram selos sobre morcegos, dentro de uma política com o objetivo de esclarecer a importância dessas espécies animais e contribuir para a conservação dos recursos naturais. E, conseqüentemente, ajudar a preservar o meio ambiente.

Parabéns aos Correios, aos artistas plásticos e aos filatelistas, todos unidos à causa da preservação ambiental!

Veja também:

Correio lança selo “morcegos”

Selos retratam espécies brasileiras de morcegos

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Ao saber quanta água é consumida* para produzir um hambúrguer, ou um par de sapatos, ou uma xícara de café ou diversas outras coisas, percebi quantas coisas podemos fazer diferente, contribuindo para o uso racional dos recursos naturais, para a preservação do meio ambiente e em favor do bem-estar da nossa própria espécie.

São Francisco de Assis acreditava que a riqueza desperta a cobiça: ele dizia, já naquela época (séc. XII e XIII), que o apego aos bens materiais afastava a sociedade de Deus. Ele foi considerado um lunático pelo próprio pai. E tantos outros líderes que pensavam muito além dos seus tempos também o foram, incluindo Jesus.

Hoje, a ânsia desenfreada pelo consumo afasta as pessoas de suas próprias humanidades e da comunhão com o seu  meio ambiente.

Gravura de São Francisco de Assis

São Francisco de Assis, do site http://blog.cancaonova.com

O que podemos fazer, então?

A título de exemplo, considerando que a água potável é o nosso bem mais precioso e escasso em todo o planeta, poderíamos economizar:

a) 15.500 Litros de água, comendo 1kg de carne bovina a menos, substituindo uma porção desta por outra fonte protéica, com menor pegada ecológica;

b) 8.000 Litros de água, usando nossos sapatos por mais tempo, adiando a compra de um par de sapatos novos ou, ainda, doando sapatos que não usamos para quem precisa;

c) 2.400 Litros de água, reduzindo um hambúrguer de nosso consumo em fast-foods;

d) 518 Litros de água, trocando o suco de laranja industrializado pelo suco de laranja natural, feito em casa;

e) 140 Litros de água, tomando um cafezinho a menos;

f) 35 Litros de água, deixando de tomar 1/2 litro de Coca-Cola, substituída com vantagens por água pura (sem falar na economia da garrafa PET, que vai deixar de poluir o ambiente).

(As referências são da Revista Veja, edição especial 2010, baseada em Hans Schreier, Les Lavkulich and Sandra Brown / Water footprint Network / FAO / UNESCO)

O vídeo abaixo ilustra muito bem o que estamos falando (da série Consciente Coletivo do Instituto Akatu, HP e Futura):

Tudo o que nós consumimos e tudo aquilo que fazemos consome água e outros recursos naturais, em maior ou em menor medida. Percebemos que é fácil darmos a nossa contribuição para a sustentabilidade ambiental, por menor que essa possa parecer.

Em post anterior comentei sobre “pegada ecológica” (Veja aqui o tamanho da sua Pegada Ecológica!).

Será que consumimos pensando no meio ambiente, consumimos apenas o suficiente, apenas o que nos basta para o dia-a-dia?

– Como utilizamos a água? Re-aproveitamos a água? Deixamos a mangueira ligada um tempão no jardim, ou lavando a calçada, ou o carro? Durante o banho, fechamos a torneira quando nos ensaboamos?

– Deixamos luzes e equipamentos ligados em vários cômodos, ou procuramos poupar energia?

Procuramos maximizar as caminhadas, usamos transporte coletivo, andamos de bicicleta, damos carona ou usamos o carro sozinhos, em todas as ocasiões?

– E quanto a presentes, objetos diversos e compras de R$1,99?

Pois bem, considerando o perfil da sociedade ocidental dos dias de hoje, com a nossa pegada ecológica atual, não dá para continuar.

Lais Mourão Sá (A desordem criadora: crise ambiental e educação), cita David Orr (1992):

A crise de sustentabilidade socioeconômica e ecológica que afeta gravemente a modernidade pode ser interpretada também como uma crise psíquica e espiritual. Esta crise de sustentabilidade teria suas raízes na perda dos vínculos éticos que protegiam e regulavam as relações de domínio sobre a natureza, e que foram parte da experiência de nossa espécie, nas sociedades que antecederam o atual modelo civilizatório. Assim, pode-se dizer que a crise atual é fruto de condições patológicas da consciência humana, que anularam a força instintiva de sobrevivência coletiva da espécie, levando-a a destruir as próprias condições ecológicas que sustentam a sua existência no planeta “.

(Ambiente e Educação, Rio Grande, 9: 69-84, 2004)

Com esta reflexão eu concluo, fazendo um apelo para que todos adotemos as melhores práticas ao alcance de cada um, para que nós enfrentemos com determinação e consistência a nossa crise ambiental, que também é espiritual. Não se pede que nos despojemos de todos os bens materiais, como São Francisco de Assis. Mas podemos nos limitar a consumir apenas aquilo que basta para o dia-a-dia de uma vida saudável.

Na dúvida, antes de decidir pelo consumo, façamos a seguinte pergunta:

O que pretendo consumir é apenas o suficiente, apenas o que me basta para o dia-a-dia?

Nossa decisão tenderá a ser consciente e poderá mostrar o caminho da sustentabilidade.

* Pegada ecológica de água (Water footprint): volume total de água que é usado para produzir alimentos e serviços consumidos pelas pessoas, pelo setor produtivo ou por uma nação.