Segundo Henry Miller, Brassai era “O olho de Paris” (1). Era como uma coruja, um profissional que levantava ao por do sol e não retornava para casa antes do amanhecer (2) [Em: (1) “Iconos de la Fotografia – El Siglo XX” e (2) “50 Photographers you should know”].

Nenhum outro fotógrafo foi capaz de lançar tanta luz sobre a vida cotidiana de Paris como Brassai. É como se o destino se mostrasse por meio de suas fotografias.

Brassai perambulava pelas ruas e pelas cafeterias parisienses em busca de imagens vivas. A fotografia existia inclusive antes de apertar o disparador. “Não inventava nada, mas imaginou tudo”.

À noite capturou cenas pitorescas, incluindo ruas e edifícios, a estação de Saint-Lazare deserta, luzes sobre as fontes na Place de la Concorde, gatos ambulantes, sem-teto, vigilantes, protitutas exaustas, bordéis, clubes de gays e lésbicas, trabalhadores, grafites nas paredes (publicadas com o título de “Language of the walls”), dentre outras.

Em cada gesto que observava, em cada situação que se lhe oferecia, buscava a intensidade do momento.

Na fotografia dos amantes no café, uma situação por demais comum, estava menos interessado na própria situação, a do homem a ponto de beijar a mulher. Brassai viu o movimento e captou o caráter visual do ato espontâneo. Em um instante, decidiu a foto e capturou o que a cena tem de especial.

Amantes em um café de la Place d’Italie, Brassai, 1932

Brassai havia conseguido combinar realidade e ficção em uma única imagem.

A forte presença das pessoas na obra de Brassai não deixa de surpreender. Preenchem cada composição com seu volume físico e revelam a implicação genuina do fotógrafo.
Nenhuma foto foi tomada por mero prazer estético. Suas fotografias sempre supuseram uma confissão de humanidade.
Brassai ultrapassa os elementos cotidianos da existência humana a umas imagens cheias de valor estético e calor humano (Em: Iconos de la Fotografia – El Siglo XX).

Brassai (1899-1984)

Foto de Brassai

Brassai – Biografia

Gyula Halász nasceu em 1899 em Brassó, Transilvânia, Hungria, hoje Brasvo, Romênia.  O pseudônimo Brassai foi tirado do local de nascimento do fotógrafo (Brasvo, Brassó).

Entre 1918-1919 estudou na Academia de Arte em Budapeste e entre 1920-1922 estudou em Berlim, na Akademische Hochschule em Berlin-Charlottenburg. Trabalhou como pintor, escultor e jornalista em Paris (1924-1930), onde manteve contato com Picasso, Dali e Braque, dentre outros. Em 1925 contata Eugène Atget, uma referência para ele. Originalmente tinha aversão à fotografia. Foi em Paris que se apaixonou pela cidade e pela câmera.

Em 1926 conheceu André Kertész e em 1930 começa a fotografar com uma câmera Voigtlander. Entre 1930-1940 trabalhou como fotógrafo independente para as revistas Verve, Minotauro e Harper’s Bazaar. Em 1932 publicou “Paris à Noite” (Paris de nuit, Paris by Night). Também começou a fotografar grafitagem nas paredes de Paris, o que entusiasmou Picasso, Dubuffet e aos artistas informais.

Durante a ocupação da França pela Alemanha nazista foi proibido de exercer a sua profissão. Apesar disso, fotografou esculturas e desenho de Picasso. Escreveu o livro “Conversations avec Picasso”.

A partir de 1945 retoma a sua atividade de fotógrafo, nas revistas Harper’s Bazaar, Lilliput, Picture Post, Labyrinthe e Réalités. Desenhista de balé em Paris, entre 1945-1950. Em 1962 deixa a fotografia.

Faleceu em Beaulieu-sur-Mer, França, em 1984.

Do site http://www.photo-seminars.com/Fame/Brassai.htm fiz uma tradução livre, escrita abaixo, complementando a biobrafia do fotógrafo:

Brassai vê Paris como um tema de infinita grandeza. Suas fotografias de Paris exploraram as pessoas de forma sensível e, com freqüência, de forma bastante dramática, além das avenidas resplandecentes, seus caminhos secretos e intrigantes. Foi com o seu primeiro livro, Paris at Night, hoje um clássico moderno, que Brassai teve sua reputação estabelecida. Alguns dos retratos neste livro estão definidos com nitidez e luz brilhante, enquanto outros capturam o nevoeiro das noites chuvosas. Há os que retratam a vida obscura do mundo dos criminosos.

À medida que Brassai criava mais retratos da vida parisiense, sua fama foi se tornando internacional. Seus retratos sobre o que hoje denominamos grafitagem ou pichação, realizadas nas paredes de prédios em ruínas, foram objeto do seu “one-man show”no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque. Sobre o assunto ele afirmou: “”the thing that is magnificent about photography is that it can produce images that incite emotion based on the subject matter alone.””

Outras apresentações individuais ocorreram em Biblioth-Que Nationale em Paris, no George Eastman House em Rochester, e no Art Institute em Chicago. Seu trabalho foi incluído em muitas exibições internacionais e publicado em muitas revistas. Ele foi a última pessoa a receber o England’s P. H. Emerson Award do próprio. E é interessante notar que Brassai continuou seu trabalho em outras artes como desenho, poesia, e escultura. Álbuns de seus desenhos e um volume de poesia, Les Pro pos de Marie, foram publicados, e houve uma exposição com 50 esculturas dele em Paris. Junto com outros grandes artistas contemporâneos — Picasso, Moore, Calder, e Noguchi, Brassai recebeu o honroso convite para criar um mural de 23 X 10 pés para o palácio de UNESCO em Paris. Brassai deixou importantes afirmações sobre fotografia, dentre as quais:

We should try, without creasing to tear ourselves constantly by leaving our subjects and even photography itself from time to time, in order that we may come back to them with reawakened zest, with the virginal eye. That is the most precious thing we can possess.”

“A noite sugere, não ensina. A noite nos encontra e nos surpreende por sua estranheza; ela libera em nós as forças que, durante o dia, são dominadas pela razão.“
(Brassaï)


Outras fotos da autoria de Brassai

Foto noturna de Brassai

Homens confidenciando, Brassai

Bijoux, Brassai

Holy Week, Seville, Brassai

Les escaliers de montmartre, 1936, Brassai

Nevoeiro (Foggy), Brassai, 1934.

Bibliografia

Stepan, Peter. 50 Photographers you should know. Prestel, Munich, 2008, pp. 92-93.

Stepan, Peter. Iconos de la Fotografía – El Siglo XX. Electa, 2006, pp. 52-53.

http://www.fotodicas.com/biografias/brassai_fotografo_da_noite.html. Consultado em 19/12/09 às 14:33hs.

http://www.photo-seminars.com/Fame/Brassai.htm. Consultado em 19/12/09 às 14:33hs.

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comentários
  1. Mt bom!!! Me ajudou bastante em uma pesquisa.

  2. gabriella disse:

    Otimo testo….

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